Em um contexto em que Vitória celebra o jazz através de grandes ícones, o AT2 destaca a emergente cena musical do Espírito Santo, que tem se dedicado a representar este gênero americano ao longo da última década.
Do álbum recém-lançado “Pirajazz” ao notável Joabe Reis, considerado um dos pioneiros do jazz urbano brasileiro, passando por iniciativas que combinam o gênero com MPB, reggae e bossa nova, essa nova geração demonstra que o jazz pode, acima de tudo, ser uma linguagem de liberdade.
Essa pluralidade ajuda a explicar a continuidade de uma tradição iniciada por artistas como Afonso Abreu Trio, Pedro de Alcântara, Chryso Rocha e Maestro Colibri, que foram fundamentais na construção de uma herança instrumental no estado.
Gabriel Ruy, filho do renomado músico Mário Ruy, ressalta: “Mais do que um mero conjunto de regras ou partituras, o jazz é uma forma de expressão e um conceito musical, fundamentado na atitude, na improvisação radical e na disposição para o risco”.
Os novos projetos programáticos incorporam repertórios que revisitam grandes nomes do jazz e da música brasileira. Referências a figuras como Miles Davis, John Coltrane, Dizzy Gillespie, Tom Jobim e João Donato são frequentes e servem como base para interpretações variadas.
Esses músicos têm mostrado tanto talento que já se apresentaram em palcos internacionais e festivais renomados. Joabe Reis, por exemplo, fez sua estreia no “The Town” e no “Rock in Rio”.
O quinteto “Pirajazz”, liderado pelo baterista Eduardo Pirajá, tem lançado um álbum que une composições originais do artista, influenciadas pelo jazz contemporâneo, música brasileira e a improvisação.
Daria Obraztsova, nascida na Rússia e residente no estado há mais de uma década, tem se destacado em suas apresentações de jazz, homenageando grandes divas como Ella Fitzgerald, Carmen McRae e Sarah Vaughan.
Com participação em festivais de grande porte, Joabe Reis foi o primeiro trombonista a levar um show autoral ao “Rock in Rio”, em 2024, ano em que também lançou seu álbum “028”.
Formada por mais de 15 instrumentistas com idades entre 21 e 50 anos, a Terra BrasilES Jazz Band se destaca como a primeira big band de jazz profissional do Espírito Santo e é conhecida por seus arranjos sofisticados de músicas brasileiras.
O grupo Jazzera, que conta com Claudemir (teclado), Ronnie (bateria e voz), VT (baixo) e Iago (flauta e saxofone), realiza releituras do jazz contemporâneo e adaptações de sucessos da música brasileira.
Pedro Ferna, cantor e pianista de 36 anos, lidera o projeto Ferna Jazz e se prepara para lançar seu primeiro álbum de estúdio, com a produção de Rodolfo Simor, além de realizar shows em festivais e concertos.
O projeto Dub’s Ruy, liderado pelo guitarrista Gabriel Ruy, tem promovido uma fusão animada de jazz, reggae, bossa nova e dub, tendo lançado o EP “Alma Dub Brasileira” há um ano. Os integrantes do grupo têm entre 22 e 40 anos.
Por fim, o trio Ekoá, formado por Danil Junio (guitarra), Ricardo Magris (teclado) e Bruno Kalic (bateria), existe há três anos e planeja produzir obras autorais até 2027, misturando jazz norte-americano com influências da música brasileira.



