Sergio Janikian, conselheiro do Corinthians, se lança na corrida pela presidência do clube com um foco na responsabilidade fiscal, propondo cortes de despesas e um resgate da credibilidade institucional. Em entrevista, o empresário de 58 anos defende que a dívida de R$ 2,8 bilhões do Corinthians pode ser equacionada sem a necessidade de criar uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ou solicitar Recuperação Judicial. Para ele, a questão não é somente financeira, mas de gestão eficiente.
Janikian criticou o estado atual do clube, afirmando que a crise moral, ética e financeira afasta investidores, com o Corinthians frequentemente relacionado a assuntos policiais. Ele destaca que sua campanha é financiada com recursos próprios, sem compromissos com terceiros.
A passagem de Janikian como diretor de futebol na gestão de Roberto de Andrade em 2015 foi marcada por conflitos internos e uma declaração controversa sobre o chaveamento na Libertadores. No entanto, ele acredita que sua experiência recente o deixou preparado para o diálogo e a complexidade política do clube.
Ele menciona que o Corinthians possui um grande potencial de consumo entre os torcedores e uma receita robusta, mas que os recursos estão sendo mal direcionados. Critica a atual administração por antecipar receitas futuras, criando novos problemas financeiros em vez de resolvê-los.
Para enfrentar a dívida, Janikian propõe uma gestão séria, focada em reduzir gastos e aumentar receitas de forma saudável. Ele é contrário ao modelo SAF, ressaltando que o problema do clube reside nas pessoas em cargos de administração, não na estrutura associativa. Janikian também se opõe à Recuperação Judicial, defendendo que essa deve ser uma última alternativa após tentativas de diálogo com credores.
Ele acredita que o Corinthians pode se reestruturar sem recorrer à recuperação judicial, reforçando que o afastamento de investidores se dá pela crise moral que o clube enfrenta. Com uma gestão baseada em seriedade e transparência, ele imagina que o nome do Corinthians pode voltar a ser atrativo no mercado.
A proposta da atual administração de trocar a dívida com a Caixa pelo naming rights da Arena preocupa Janikian, que considera o naming rights um ativo subexplorado e que deve ser bem gerido. Ele defende que a solução para a dívida deve ser desenvolvida com cautela, sem decisões apressadas por motivos eleitorais.
Sobre a possibilidade do Corinthians aceitar patrocínios de segmentos controversos, Janikian se posiciona contra esse tipo de negócio, que pode trazer danos à imagem do clube, e enfatiza a importância de uma gestão transparente e responsável. Ele propõe a implementação de práticas que garantam fiscalização rigorosa dos contratos e um compromisso com a responsabilidade fiscal.
Por fim, em relação ao futebol feminino do clube, Janikian acredita na necessidade de uma gestão dedicada, com recursos específicos e autonomia orçamentária para garantir sua continuidade e crescimento. Ele também se manifesta a favor da inclusão do sócio-torcedor no direito de voto, desde que respeitados critérios que evitem manipulações eleitorais. Em relação a questões judiciais pessoais, afirma que sua candidatura não será afetada, pois está dentro das exigências estatutárias e suas questões são contestadas legalmente. Com a experiência adquirida nos últimos anos, Janikian se vê pronto para trazer uma gestão eficiente e transparente ao Corinthians.


