sábado, outubro 10, 2026
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Douglas Ruas deve ser reconhecido como governador eleito do RJ, mas sob investigação.

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), pode ser oficialmente declarado governador eleito, apesar de estar sob investigação. A Procuradoria-Geral da Justiça iniciou, em julho, um procedimento para investigar possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa.

As investigações se baseiam nas transações financeiras significativas efetuadas por Ruas e por sua empresa nos últimos três anos, como noticiado anteriormente. A auditoria feita pelo governo estadual na Secretaria de Cidades, onde Ruas atuou durante a gestão de Cláudio Castro, também está sendo analisada pelos promotores.

Em contato, a assessoria de Douglas Ruas optou por não comentar o assunto. Após um debate na TV, o deputado expressou confiança na apuração e afirmou que a investigação será arquivada.

Ruas declarou que o Ministério Público deve verificar a veracidade das informações recebidas e mencionou que uma acusação anterior já foi arquivada por ser infundada. Ele se mostrou otimista quanto ao resultado, afirmando que essa nova denúncia também terá um desfecho favorável, uma vez que acredita serem inverdades.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tomou a decisão de anular os votos do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) na eleição para o governo do Rio de Janeiro, liberando assim a proclamação de vitória de Douglas Ruas no primeiro turno, com 50,88% dos votos válidos.

Eduardo Paes (PSD), ex-prefeito do Rio, que seria seu oponente caso os votos de Garotinho fossem considerados válidos, recorreu ao Supremo Tribunal Federal, mas teve sua solicitação negada e acabou por reconhecer a derrota na disputa.

A investigação contra Ruas teve início a partir de uma denúncia anônima ao Ministério Público e posteriormente encaminhada ao Tribunal de Justiça, onde o caso está sob sigilo. Se a apuração continuar até a posse de Ruas, ela será enviada à Procuradoria-Geral da República.

Conforme apurado, Ruas, sua esposa, Mariana Barbosa, e suas empresas realizaram várias aquisições imobiliárias e de precatórios nos últimos três anos, totalizando mais de R$ 16 milhões em bens, de acordo com as escrituras.

Essas transações começaram em janeiro de 2023, quando Ruas foi eleito. Elas se intensificaram a partir de setembro, data em que ele assumiu a Secretaria de Cidades. Em comunicado, o deputado afirmou que sua empresa possui uma sólida atuação no setor de logística e que, a partir de 2023, começou a focar em imóveis e ativos financeiros, incluindo precatórios.

Além disso, um portal de notícias revelou que a empresa de Ruas recebeu R$ 1,58 milhão da pedreira pertencente à família do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), que foi subcontratada para realizar serviços em obras da Secretaria de Cidades.

Douglas Ruas declarou que separa totalmente suas atividades empresariais de sua vida política e que os serviços prestados por sua empresa não têm relação com obras públicas.

A auditoria realizada pelo governo interino do desembargador Ricardo Couto nos contratos da Secretaria da Cidades, sob a gestão de Ruas, revelou um aditivo de 45% em um contrato apenas 17 dias após seu início. Um dos fornecedores relacionados é a mineradora da família de Altineu.

Ruas, por sua vez, garantiu que a secretaria não influencia a escolha dos fornecedores para as empresas contratadas, além de afirmar que a nova lei de licitações não estabelece um limite de 25% para aditivos, como aponta a auditoria.

Em resposta, Altineu afirmou que a mineradora Santa Edwiges nunca participou de licitações estaduais e que suas vendas são realizadas exclusivamente para clientes privados, com preços abaixo da tabela governamental.

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