O Espírito Santo destaca-se como o principal exportador nacional de pimenta-do-reino, mamão e gengibre, representando 58%, 44% e 62% do total brasileiro, respectivamente, em 2024. No setor cafeeiro, o café conilon cultiva-se em 50 mil propriedades rurais no estado, colocando o Espírito Santo na segunda posição do ranking nacional, superando São Paulo.
Em termos de exportação, o agronegócio capixaba alcançou US$ 3,6 bilhões em 2024, um aumento expressivo de 69,4% em relação ao ano anterior, atendendo a 125 países. O valor bruto da produção (VBP) atingiu R$ 31,2 bilhões. Embora a infraestrutura portuária esteja bem estruturada e o Incaper realize pesquisas genéticas de destaque, o Espírito Santo ainda enfrenta desafios nas negociações, aceitando muitas vezes preços impostos pelos compradores.
A questão não reside apenas em câmbio ou logística, mas na falta de uma Marca Pública Regional (MPR) consolidada, que é crucial para transformar a origem dos produtos em valor agregado. A MPR não deve ser vista como um mero selo, mas sim como um instrumento fundamental de política econômica. A certificação de origem ajuda a reduzir a simetria de informações, construir a confiança do consumidor e consequentemente permitir um preço-premium.
Os mercados europeu e norte-americano já pagam mais por produtos com origem verificável e controle ambiental; no entanto, o Espírito Santo ainda não está cobrando esse diferencial de forma estruturada. A cafeicultura, que representa 37% do PIB agropecuário do estado e possui 73% de seus produtores organizados em sistemas familiares, é um potencial líder neste movimento, embora ainda não tenha assumido essa posição.
Uma MPR eficaz envolve a colaboração de quatro setores: governo local, cooperativas, empresas da cadeia produtiva e instituições como o Incaper. Quando esses elementos trabalham em conjunto, forma-se um “cluster” agrícola capaz de gerar forte poder de mercado, transcendendo o simples sucesso de uma safra.
Os consumidores globais já exigem informações sobre o manejo agrícola, como práticas de sombreamento, mensuração da pegada de carbono e substituição de agroquímicos por biofertilizantes. Essa demanda não é uma tendência futura; já é uma realidade no presente.
Para os gestores com um olhar estratégico, a questão central é: quanto da produção capixaba é vendida sem um nome associado, ao preço estipulado pelos compradores? É a diferença entre commodities e produtos com origem certificada que determina a margem que permanece na cadeia, e não nos bolsos dos importadores. Nenhum sistema financeiro consegue igualar a eficácia de uma marca forte em agregar valor.
A produtividade, sem um posicionamento firme no mercado, representa um esforço que não se traduz em ganhos. O Espírito Santo dispõe de produtos de qualidade, pesquisa avançada e infraestrutura portuária adequada. O que ainda falta é construir uma identidade marcante que leve os compradores a buscar o produto capixaba pelo nome, em vez de aceitarem qualquer oferta que lhes seja apresentada.
Este texto reflete a opinião do autor e não necessariamente representa a posição do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo ou das organizações a que ele esteja associado.


