segunda-feira, outubro 12, 2026
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Um Jardim de Gratidão no Espírito Santo em Homenagem aos Doadores de Órgãos

Um memorial foi inaugurado pelo Hospital Vitória Apart, localizado na Serra, em honra às famílias que consentiram em doar órgãos e tecidos de seus entes falecidos. Desde 2021, um total de 21 famílias aceitou essa importante decisão. O jardim foi criado com o objetivo de manter vivas as memórias, mesmo após a despedida.

O espaço teve início com a plantação de um ipê, realizado como uma homenagem a um paciente oncológico que ficou internado por um longo período. Essa iniciativa evoluiu e, em 2026, a árvore passou a integrar um jardim dedicado à memória de outros doadores de órgãos do hospital.

Andreia Pereira, presidente da Comissão de Doação de Órgãos do Hospital Vitória Apart, destacou que o memorial serve como um agradecimento aos doadores e um reconhecimento da coragem das famílias que optam pela doação. Juliana Oliveira, de 39 anos, é filha de Adilson Trancoso Mendes, o paciente homenageado no início do projeto. Ela precisou se despedir do pai há cerca de cinco anos, em decorrência de um câncer de intestino, quando ele tinha 55 anos.

Juliana revelou que a decisão de autorizar a doação veio naturalmente, alinhada aos valores que seu pai havia deixado. Adilson foi doador de córneas, e sua filha expressou a certeza de que ele teria apoiado essa escolha, ressaltando o caráter bondoso do pai e a educação voltada para a solidariedade.

A identificação dos doadores visa não apenas reconhecer o gesto, mas também trazer um pouco de conforto em momentos de luto. Conforme Andreia, no Brasil, a autorização da família é obrigatória, mesmo que o indivíduo tenha manifestado o desejo de ser doador em vida. Ela reforçou que é essencial que as pessoas conversem com suas famílias sobre suas intenções de doação, pois a decisão final cabe aos parentes.

Em relação à doação de órgãos no Espírito Santo, os números mostram a seguinte realidade: em 2024, 89 doadores foram registrados, com 87 doadores em 2025 e 48 doadores entre janeiro e agosto de 2026. Por outro lado, a recusa familiar para a doação vem crescendo: 46,32% em 2024, 53,14% em 2025, e 59% entre janeiro e agosto de 2026, um indicativo de que, do total de famílias abordadas, muitas optaram por não autorizar a doação.

Ainda que a manifestação do desejo de ser doador seja feita em vida, a autorização familiar é necessária após a morte. Somente uma única doação pode beneficiar até nove pessoas, dependendo dos órgãos disponíveis. As motivações mais comuns para a recusa incluem a oposição à doação e a indecisão entre os familiares. Além disso, o desejo de manter a integridade do corpo e o receio de atrasos na liberação do corpo são outros fatores que influenciam essa decisão.

No Estado, os transplantes realizados de coração totalizaram dez em 2024, 11 em 2025 e seis nos primeiros oito meses de 2026. Foram 82 transplantes de rim a partir de doadores falecidos em 2024, e 75 em 2025. Já os transplantes de córnea se destacaram com 323 em 2024 e 462 em 2025. A fila de espera por transplantes no Espírito Santo, em 25 de setembro de 2026, contabilizava 2.915 pessoas, sendo a maior parte para córneas (1.753) e rins (1.085).

Diante dessa realidade, a sensibilização sobre a doação de órgãos é fundamental, tanto para incentivar novos doadores quanto para garantir que as famílias estejam cientes desses desejos, promovendo assim um ambiente mais acolhedor em momentos tão delicados.

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