A partir de 2029, o Brasil se tornará, pela primeira vez, um país onde a população idosa superará a de crianças e adolescentes com até 14 anos, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país deve atingir cerca de 40 milhões de idosos, em comparação a 39 milhões de jovens nessa faixa etária. No estado do Espírito Santo, a situação será parecida, com a população idosa prevista para totalizar 805 mil pessoas, enquanto o número de crianças e adolescentes deverá ser de aproximadamente 786 mil.
O geógrafo Rennan Moraes Rodrigues, que é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Ufes, ressalta que essa transformação é resultado de um fenômeno conhecido como transição demográfica, que também ocorreu em outros países ao longo de suas urbanizações. Ele explica que este fenômeno é provocado pela entrada das mulheres no mercado de trabalho, pela diminuição da taxa de natalidade e pelos avanços na medicina, que contribuíram para o aumento da expectativa de vida. Como consequência, o número de nascimentos diminui, enquanto as pessoas estão vivendo por mais tempo.
Diante desse envelhecimento populacional, o pesquisador enfatiza a urgência de ajustar as políticas públicas, principalmente nas áreas de saúde, previdência e infraestrutura urbana. Renata Coutinho, responsável pela Seção de Disseminação de Informações do IBGE no Espírito Santo, ressalta a importância das projeções de população para que os órgãos públicos possam se preparar para essa mudança demográfica.
Na área da saúde, Fernanda Esperandio, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seção Espírito Santo, aponta que será essencial expandir os serviços especializados e investir na prevenção de doenças. Ela defende que é necessário fortalecer a Atenção Primária à Saúde e aumentar a oferta de serviços em geriatria, reabilitação e atenção domiciliar, além de preparar os profissionais que atuarão nesse cenário.
A médica destaca que o objetivo não deve ser apenas a longevidade, mas sim garantir que os idosos envelheçam com saúde, autonomia e independência.
Cirlene Jimenez, aposentada de 73 anos, representa uma geração cada vez mais crescente, a dos idosos. Ela admite gostar de aproveitar a vida, dançando, passeando e cuidando da neta Isabela Paiva, de 4 anos. Cirlene valoriza a convivência intergeracional, ressaltando os benefícios do aprendizado mútuo entre as gerações.
Entre as aposentadas que frequentam o Centro de Convivência da Pessoa Idosa em Campo Grande, Cariacica, Arlene Coutinho Alves, de 69 anos, e Beatriz Souto Tavares, de 71, são exemplos de vitalidade. Elas afirmam que a prática de atividades físicas é essencial para manter a saúde tanto do corpo quanto da mente. Beatriz observa que, se ficar parada, não se sente bem.
Em relação aos números, as projeções populacionais no Espírito Santo indicam que, em 2029, a população total será de 4.217.060, com 805.004 idosos e 786.467 crianças na faixa de 0 a 4 anos. Nacionalmente, o Brasil deve alcançar 216.337.693 habitantes, com 40.088.628 idosos e 39.228.421 crianças nessa mesma faixa etária.
As causas para esse novo cenário incluem a diminuição da fecundidade, já que as mulheres estão tendo menos filhos — a taxa de fecundidade no Espírito Santo caiu de 2,12 filhos por mulher em 2000 para uma estimativa de 1,65 em 2026. Além disso, o aumento da expectativa de vida e mudanças sociais, como a urbanização e a maior inserção feminina no mercado de trabalho, também são fatores determinantes.
Para enfrentar esses desafios, é imprescindível fortalecer a Atenção Primária à Saúde, ampliar os serviços geriátricos, adaptar a infraestrutura urbana para atender às necessidades da população idosa e criar espaços para lazer e convivência que promovam a saúde e a independência dos idosos.



