domingo, outubro 18, 2026
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Geração 60+: Iniciando Projetos e Provando que Nunca é Tarde para Realizar Sonhos

Chegar aos 60, 70, 80 ou 90 anos não significa abdicar de sonhos e projetos. Pelo contrário, para muitos idosos, essa fase da vida se tornou uma oportunidade para iniciar novos interesses e realizar anseios que antes foram deixados de lado. Em julho, em ocasião do Dia Internacional da Pessoa Idosa, essas histórias mostram que nunca é tarde para agir.

Os idosos Rita e Luiz Polese, ambos com 74 anos e casados há mais de cinco décadas, são exemplos dessa nova mentalidade. Eles levaram uma vida ativa e, na terceira idade, decidiram buscar novos desafios e aprendizados. Rita, que sempre teve paixão por música, voltou a estudar violão e começou a aprender piano. Além disso, o casal decidiu se aprofundar no idioma italiano, que está conectado às suas raízes familiares.

“A vida não para para nós. Temos sede de conhecimento e vontade de contribuir para o que nos cerca”, afirma Rita. A rotina do casal ainda inclui atividades como trabalho voluntário, participação em movimentos sociais, academia, pilates, viagens, visitas a exposições, shows e encontros com amigos. “Essas experiências nos fazem bem, pois mantemos a memória ativa, conhecemos novas pessoas e nos divertimos fazendo o que amamos”, completou.

Esse desejo de aprender e participar acompanha o aumento da longevidade da população. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a expectativa de vida no Brasil cresceu de 45,5 anos em 1940 para 76,6 anos em 2024. No Espírito Santo, as projeções indicam que, em 2026, 731.351 cidadãos terão 60 anos ou mais, com 328.093 homens e 403.258 mulheres.

O geriatra Roni Mukamal destaca que o aumento da longevidade torna ainda mais essencial manter interesses e uma rotina ativa durante o envelhecimento. “Quando alguém decide estudar uma nova língua, aprender um instrumento ou se socializar mais, ativa diversas habilidades cognitivas e emocionais”, comenta.

A psicóloga Naira Delboni observa que essa fase da vida pode representar uma chance de redescobrir velhos interesses. Muitas pessoas estão tão ligadas a papéis como profissão e maternidade que, ao perderem esses rótulos, encontram novos caminhos e hobbies.

Além dessas discussões, o aprendizado após os 60 anos é fundamental para a autoestima, aumentando a autoconfiança e possibilitando lidar melhor com os desafios diários. Para Naira, esses novos aprendizados promovem um reconhecimento de progresso e capacidade. “As pessoas se tornam mais conscientes de que ainda têm muito a aprender e a desenvolver.”

A psicóloga complementa que os benefícios vão muito além do emocional; novas atividades estimulam diversas funções cognitivas, como atenção, memória e raciocínio. “Quando diversificamos as experiências, o cérebro é incentivado a sair de sua zona de conforto, permitindo novas associações e o desenvolvimento de diferentes habilidades”, explica.

A Organização Mundial da Saúde ressalta que a educação contínua e o engajamento intelectual são formas de prevenir sintomas depressivos e promover uma sensação de utilidade entre os mais velhos. Para Christiano Barbosa, presidente da Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer e Idosos Dependentes, estabelecer novos propósitos é vital para a qualidade de vida na maturidade.

Mudar de carreira ou iniciar novos projetos na maturidade tem se tornado uma realidade crescente. Airton Machado, de 63 anos, trabalhou como farmacêutico durante anos, mas ao perder o emprego em 2019, decidiu abrir uma cafeteria em Vitória após tentar se recolocar na área sem sucesso. “Pensei que precisava agir. Decidi empreender novamente, já que sempre gostei de cafés especiais”, revela.

Ele se aprofundou em cursos de barista e métodos de preparo antes de abrir seu negócio. Embora reconheça que as demandas do empreendedorismo sejam intensas, Airton sente satisfação ao ver o crescimento da cafeteria e a reação positiva dos clientes.

Cada vez mais pessoas acima dos 60 anos estão retornando ou permanecendo no mercado de trabalho, com um aumento de 68,9% na presença dessa faixa etária segundo dados recentes. Contudo, ainda há um certo receio entre os mais velhos em relação a recomeçar. Christiano apela para que a sociedade incentive os idosos a aprender e a buscarem novas experiências.

Naira Delboni reforça que iniciar novamente na maturidade não significa voltar a um passado, mas sim abraçar novas possibilidades. Envelhecer deve ser visto como uma oportunidade para explorar novos caminhos, e não como um fim dos planos.

Além de questões físicas, manter-se ativo após os 60 anos é crucial para fortalecer conexões sociais e evitar o isolamento, problema crescente entre a população idosa, já que 28,7% vivem sozinhos, conforme pesquisas recentes. Cuidar desses vínculos se torna fundamental, especialmente em momentos de transição na vida familiar ou profissional.

Desenvolver novas habilidades, frequentar novos ambientes e construir novas amizades são essenciais para minimizar os riscos de solidão. O engajamento social proporciona interações valiosas, que são importantes para o bem-estar físico e emocional.

Ao longo da vida, a busca por aprendizado e atividade traz benefícios multifacetados. Apesar das dificuldades que podem surgir com o envelhecimento, a capacidade de aprender e descobrir novos interesses permanece intacta.

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