Crise no Corinthians: Quantos "nãos" foram ouvidos antes da contratação de Seedorf?
Na estreia da coluna “Último Lance”, a jornalista Isabela Labate abordou a chegada do holandês Clarence Seedorf para assumir o comando do Corinthians e as circunstâncias que cercam essa transição.
Fábio Soares Souza, ex-diretor administrativo do Corinthians, denunciou ter sofrido um “assassinato de reputação” enquanto esteve à frente da gestão do clube. Em depoimento ao Ministério Público de São Paulo, no âmbito de um Procedimento Investigatório Criminal que investiga a contratação irregular de uma empresa de segurança privada, Fábio se isentou de qualquer responsabilidade por possíveis irregularidades, descrevendo a administração como “confusa e irresponsável”. Até o momento, o clube não se pronunciou sobre suas declarações.
O presidente Osmar Stábile enfrenta uma acusação do MP pelo uso indevido de recursos do clube para financiar a Bear Security Ltda, que, segundo a denúncia, servia apenas a ele e sua família. Quando a denúncia emergiu em setembro, o Corinthians defendeu que a contratação da empresa seguiu os trâmites corretos.
Fábio se manifestou em relação à investigação, mencionando que a defesa do presidente atribuiu a responsabilidade de verificar e aprovar notas e licenças a outras áreas do clube. O ex-diretor caracterizou o ambiente nos bastidores do Parque São Jorge como um “sistema radioativo”, dominado por "velhas lideranças" que afastam gestores sem influência política. Ele também relatou que o “assassinato de reputação” do qual foi alvo se estendeu a outros membros, incluindo o diretor de tecnologia Marcelo Munhoes, que denunciou um esquema de cambismo no clube.
Fábio declarou que, assim como Munhoes, ele dedicou-se ao clube sem buscar vantagens pessoais, sendo afastado abruptamente e informado pelo presidente que a decisão se baseou em “questões políticas” e “pressões internas”. Ele se referiu a sua saída como “pela porta dos fundos” e expressou solidariedade ao colega, ambos dispensados sem respeito em uma gestão confusa e incapaz de assumir suas decisões.
Quanto à controvérsia envolvendo a Bear Security, Fábio ressaltou que a empresa já atuava no clube antes de sua chegada à diretoria administrativa em junho de 2025. Ele afirmou não ter indicado a empresa, discutido valores ou gerenciado os serviços prestados, limitando sua atuação aos trâmites burocráticos habituais.
Entenda o caso Bear Security
O Ministério Público de São Paulo denunciou Osmar Stábile em setembro, por apropriação indébita relativa à empresa Bear Security, onde o prejuízo estimado aos cofres do Corinthians é de R$ 721.194,66. Segundo a acusação, entre julho de 2025 e agosto de 2026, Stábile teria realizado 15 pagamentos à Bear Security, com valores variando de R$ 33 mil a R$ 65 mil. O promotor responsável pela investigação aponta que a empresa não possuía autorização da Polícia Federal, emitindo notas fiscais unicamente para o clube.
A apuração do MP foi iniciada em agosto, focando na utilização de recursos do Corinthians para a contratação da empresa que prestava serviços de segurança privada a Stábile. Quando o assunto foi revelado em junho, o clube declarou que a contratação foi realizada com base na confiança nos profissionais e que o contrato respeitou o sistema de compliance.
Criada em janeiro de 2025, a Bear Security registra serviços prestados exclusivamente ao Corinthians, totalizando R$ 586.987,65. A empresa, localizada no bairro do Realengo, no Rio, possui em seu quadro dois profissionais que foram policiais militares e mantinham vínculos com Stábile e sua família antes de sua posse. Em outubro de 2024, esses profissionais viajaram com Stábile, que na época era vice-presidente de Augusto Melo, para um evento no Nordeste.



