quinta-feira, outubro 29, 2026
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PF Investiga Vorcaro e Ex-Presidente do BRB

A Polícia Federal finalizou seu primeiro inquérito relacionado a irregularidades no Banco Master, resultando no indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, por crimes financeiros. O inquérito investiga a venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito para o banco público do Distrito Federal, além de outros indivíduos que participaram da operação, incluindo ex-diretores de ambas as instituições.

Segundo as investigações, pelo menos R$ 12 bilhões dessa quantia foram fraudulentos, devido à criação de falsas carteiras de crédito consignado. A defesa de Vorcaro argumentou que não houve danos ao BRB, pois as carteiras de crédito foram posteriormente substituídas por ativos válidos e solicitou a revogação de sua prisão. Para a defesa de Costa, ele não teria conhecimento das irregularidades e agiu de acordo com ordens do acionista majoritário, que é o governo do DF.

Vorcaro enfrenta acusações de gestão fraudulenta, indução de erro a investidores, fraude à fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que variam de 12 a 41 anos. Seu papel como suposto líder da organização criminosa pode agravar ainda mais sua situação. Paulo Henrique foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.

O relatório da PF revela a ligação de Vorcaro com diversos atos ilegais, detalhando sua ativa participação na obtenção de dados, na formação e transferência de carteiras, na captação de recursos junto ao BRB e em como foram gerados documentos de suporte, subvertendo os procedimentos padrões de diligência e governança exigidos pelas normas do Sistema Financeiro Nacional.

A venda de carteiras de crédito, que incluiu uma variedade de produtos financeiros, foi realizada entre julho de 2024 e outubro de 2025, mesmo após o Banco Central ter interrompido a transação. O BRB, segundo o relatório, ignorou mecanismos essenciais de governança e aprovou investimentos sem a documentação adequada, consequência de registros suspeitos em planilhas.

A Polícia Federal constatou que a falta de validação dos ativos compromete sua existência e, consequentemente, pode gerar impactos financeiros prejudiciais. Este indiciamento de Vorcaro na Operação Compliance Zero, que começou em novembro do ano passado, foi ampliado após a coleta de provas em seu celular e já foram realizadas dez fases de investigações que envolvem crimes financeiros e corrupção.

Além de Vorcaro e Costa, outros indiciados incluem ex-sócios e diretores do Banco Master. O relatório ainda será enviado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para decidir se há provas suficientes para prosseguir com a denúncia.

Vorcaro, que esteve detido por 11 dias em novembro do ano passado, foi preso novamente em março, enquanto Costa está encarcerado desde abril. Em diálogos interceptados, Vorcaro mencionou a importância do aporte financeiro do BRB para a solvência do banco.

As transferências de créditos se intensificaram em 2025, mesmo após a paralisação das vendas pelo Banco Central. As operações levaram a um prejuízo que a PF estima em pelo menos R$ 2,7 bilhões, embora o valor total ainda não tenha sido definido.

Os depoimentos recentes de Vorcaro e Costa alegam que as transações foram benéficas e não causaram prejuízos. A operação foi inicialmente focada na venda do Banco Master, mas se expandiu após revelações significativas obtidas nas investigações.

A defesa de Daniel Vorcaro contestou o relatório da PF, alegando que o indiciamento é prematuro, considerando que investigações ainda não foram concluídas e que mais provas estão sendo analisadas. Argumenta ainda que não houve prejuízo ao BRB.

Por outro lado, a defesa de Paulo Henrique Costa manifestou surpresa com seu indiciamento, ressaltando que ele não tinha conhecimento das fraudes e que toda a operação foi feita seguindo as diretrizes do acionista majoritário. A defesa argumenta que Paulo Henrique sempre priorizou os interesses do BRB e que as acusações não se sustentam.

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