A Nova Realidade da Inteligência Artificial nas Empresas
Artigo por José Mauro Rocha de Barros, Escritor, Empreendedor, Conselheiro Consultivo, Diretor Regional – ABMEN/ES, Partner Brazil UPenn, Membro dos Comitês IBEF Agro e do Comitê Qualificado de Conteúdo de Empreendedorismo e Gestão do IBEF-ES.
A inteligência artificial, até pouco tempo considerada uma possibilidade remota, tornou-se uma realidade palpável. Em 2025, estima-se que 88% das empresas já adotaram a IA em pelo menos uma de suas operações.
Em janeiro de 2026, o Fórum Econômico Mundial divulgou o relatório "Four Futures for Jobs in the New Economy – 2030". Este documento não fornece uma solução definitiva, mas apresenta quatro cenários futuros que se baseiam em dois eixos principais: a velocidade do avanço da inteligência artificial e a preparação da força de trabalho.
O relatório destaca que, embora não ofereça previsões para os próximos quatro anos, sugere a escolha de um dos quatro cenários delineados. Essa proposta é especialmente incômoda para executivos e membros de conselhos consultivos, particularmente em empresas familiares.
Desses quatro cenários, apenas um é considerado positivo: a "Co-Pilot Economy". Neste cenário, há uma colaboração entre humanos e IA, resultando em crescimento sem provocar rupturas sociais. Os outros três cenários se denominam "Displacement", "Stalled Progress" e "Supercharged Progress". No último, a produtividade aumenta significativamente, mas a desigualdade social se aprofunda, pois a governança não acompanha esse crescimento.
A diferença entre o cenário otimista e os demais não está na tecnologia, mas na decisão de investir no desenvolvimento das competências da força de trabalho.
Essa discussão assusta, pois o relatório antecipa que mais de 40% das habilidades necessárias estarão mudadas ou obsoletas até 2030. Para o Espírito Santo, essa mudança não é um conceito distante; diz respeito a profissionais como técnicos de siderurgia em Tubarão, analistas de exportação em Vitória e coordenadores de fábricas na Serra, que podem estar realizando atividades que ainda não existem ou, em alguns casos, não exercerão mais nenhuma função.
O que o Fórum Econômico Mundial coloca em foco não é a possibilidade dessa transformação, mas sim quem arcará com os custos dessa transição. Atualmente, a maioria das empresas capixabas tem transferido essa responsabilidade para seus colaboradores.
Essa opção não é a única viável, mas tem sido a predominante, influenciada pela indiferença em reuniões orçamentárias que veem o treinamento como um custo e a redução de pessoal como sinônimo de eficiência.
Organizações que consideram o talento apenas como uma despesa acabam produzindo exatamente o que investiram: custos baixos. Isso resulta em uma falta de conhecimento acumulado, anos de experiência e lealdade que a automação simplesmente não consegue replicar.
Num estado que se destaca na exportação de produtos como mármore, celulose, aço e café, a falta de atenção a esse tema gera consequências diretas. Não se trata de um risco vago, mas sim de uma transferência deliberada de encargos para aqueles que menos podem suportá-los.
O relatório do Fórum Econômico Mundial enfatiza repetidamente um termo: escolha. A forma como o futuro do trabalho será moldado não depende apenas da tecnologia, mas de quem decide sua implementação e seus objetivos.
No Espírito Santo, ainda não se tomou uma decisão clara. Entretanto, em cada reunião de gestão ou de conselho, uma escolha está sendo feita, muitas vezes sem que se perceba.
Este texto reflete a opinião do autor e não necessariamente o posicionamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo ou da instituição à qual está vinculado.



