quarta-feira, setembro 30, 2026
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Após falhas nas negociações, tarifas de 50% de Trump são implementadas no Canadá.

Neste sábado (22), o presidente dos EUA, Donald Trump, implementou novas tarifas de 50% sobre diversos produtos canadenses, após as negociações entre Washington e Ottawa não alcançarem um acordo.

Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, assegurou que o governo canadense responderá com tarifas equivalentes àquelas dos Estados Unidos “dólar por dólar visando a proteção de nossos trabalhadores e empresas”, após o colapso das negociações.

Dominic LeBlanc, ministro canadense do Comércio, esteve em Washington durante toda a semana em um esforço para minimizar a crise comercial entre as duas nações, que vêm enfrentando uma deterioração nas relações desde o segundo mandato de Trump.

As reuniões entre os negociadores terminaram na sexta-feira (21) sem um consenso, o que abriu caminho para a aplicação das novas tarifas a partir de 0h01 locais (1h01 em Brasília).

Diante da falta de um acordo, as tarifas de 50% passaram a valer, afetando mercadorias com valor total de quase US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões), representando 5,5% das exportações canadenses para os EUA.

Os itens acometidos vão de tacos de hóquei a cimento.

“Apesar das ofertas dos Estados Unidos em oferecer um tratamento preferencial ao Canadá no nosso mercado, novas exigências e recuos nas promessas anteriores mudaram o frágil equilíbrio estabelecido nos últimos dias.”Representante do Comércio dos EUA, Jamieson Greer.

O representante também afirmou que o Canadá se negou a firmar o acordo comercial conforme os termos acordados previamente.

Greer acrescentou que o governo dos Estados Unidos propôs tarifas mais baixas em setores específicos, como aço, alumínio, automotivo e de madeira, em troca de concessões que não foram divulgadas.

‘Tratamento discriminatório’

Greer indicou que o Canadá mantém retaliações prolongadas contra produtos e serviços americanos, incluindo restrições a determinadas commodities.

Líderes regionais do Canadá mencionaram que ficam preocupados com a eliminação de bebidas alcoólicas e vinhos dos EUA nas prateleiras.

A Casa Branca denunciou um “tratamento discriminatório” do Canadá em relação a produtos alcoólicos, automotivos e laticínios americanos, mesmo após Carney requisitar que as províncias canademas reestabelecessem a comercialização das bebidas.

“As alterações feitas nos termos propostos pelos Estados Unidos foram injustas, antieconômicas e colocam em dúvida a confiabilidade de qualquer pacto”, afirmou Carney em explicação sobre a negativa de Ottawa em assinar a proposta.

Ele também destacou que, apesar de recentes “avanços significativos” entre Washington e Ottawa, isso não foi adequado para atender às necessidades dos canadenses.

Um alto funcionário do governo, que pediu para não ser identificado, afirmou que o Canadá buscou concessões adicionais que os Estados Unidos não estavam dispostos a oferecer.

Entretanto, o mesmo destacou que as conversas foram francas e não excessivamente hostis. Neste momento, não há agendamento de novas reuniões.

‘Mais difícil’

Ryan Majerus, ex-funcionário do Departamento de Comércio dos EUA, comentou à AFP que “caso o Canadá também imponha tarifas de retaliação, a redução da tensão se tornará consideravelmente mais complicada”. Ele complementou que “as partes enfrentarão pressão significativa nos dias seguintes para encontrar uma solução”.

Christopher Padilla, ex-integrante do governo americano e atualmente ligado ao Brunswick Group, declarou à AFP que existe “uma expectativa significativa entre as empresas de ambos os lados” para que um entendimento seja alcançado, permitindo que “se inicie uma nova fase numa relação que enfrentou 18 meses de dificuldades”.

As tarifas anunciadas pelos Estados Unidos em julho estavam programadas para entrar em vigor na quarta-feira passada; no entanto, Trump concedeu uma extensão de três dias para que as negociações se mantivessem ativas.

Na sexta-feira, o presidente expressou otimismo, afirmando que os EUA “deveriam ser capazes de firmar um acordo com o Canadá”, destacando o relacionamento positivo com Carney.

Ottawa buscava alívio nas tarifas impostas por Trump, que provocaram a perda de empregos na economia canadense e tensionaram a tradicionalmente forte relação comercial entre os dois países.

Carney enfatizou também a necessidade de o Canadá diversificar sua economia e reduzir a dependência dos Estados Unidos, que correspondem a quase 70% das exportações canadenses.

Após o fracasso nas negociações, ambos os países devem continuar as discussões sobre as revisões do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, o T-MEC, que Trump decidiu não renovar no mês passado e que é compartilhado com o México.

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