Artigo por Flávio Cirilo, CEO da Qualisaúde
O setor de saúde suplementar no Brasil está vivendo um período de crescimento, mas também de mudança. Para compreender o funcionamento desse mercado, é essencial analisar não apenas o número total de beneficiários, mas também as características de quem contrata esses planos e quais são as demandas desse grupo. Além disso, é fundamental entender como as empresas e operadoras se adequam a essas necessidades.
Dados recentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam a relevância deste setor. Em junho de 2026, o Brasil contava com 53,1 milhões de beneficiários em planos de assistência médica, e 36,7 milhões em planos odontológicos. No último ano, o mercado registrou cerca de 15,9 milhões de novas adesões e 15,1 milhões de cancelamentos nos planos médicos, evidenciando um cenário dinâmico.
Uma característica marcante deste setor é a predominância dos planos coletivos empresariais. Dos 53,1 milhões de beneficiários na área médica, 38,9 milhões, ou cerca de 73%, estão associados a contratos coletivos empresariais, indicando que esses ambientes corporativos desempenham um papel crucial na expansão da saúde suplementar no Brasil.
Essa realidade altera a forma como devemos abordar o crescimento do setor. Não existe um perfil único de cliente de plano de saúde; as particularidades entre grandes e pequenas empresas, profissionais autônomos, famílias ou beneficiários associados a entidades são notáveis. Cada um desses grupos apresenta diferentes capacidades financeiras, padrões de utilização e expectativas.
Assim, compreender o perfil dos consumidores antes de oferecer um produto se torna uma estratégia vital. Para as empresas, o plano de saúde deixou de ser apenas um diferencial, assumindo um papel essencial nas estratégias de atração e retenção de talentos. Para os colaboradores, representa acesso, previsibilidade e segurança em relação à saúde. Para as operadoras, é imprescindível entender essas multifacetadas comportamentos a fim de desenvolver produtos sustentáveis e expandir suas carteiras de clientes.
O fluxo de adesões e cancelamentos evidencia que o crescimento vai além da simples captação de novos clientes. É igualmente importante focar na retenção, compreender o comportamento dos usuários existentes e disponibilizar soluções adequadas às necessidades de cada segmento. A ANS disponibiliza recursos que permitem analisar as empresas contratantes levando em conta aspectos como porte, setor de atuação, tipo de contrato, cobertura e localização.
Em minha perspectiva, o futuro do setor depende da capacidade de unir escala e personalização. O crescimento será contínuo, mas as empresas que conseguirem entender seus clientes de forma mais profunda estarão em melhor posição para um desenvolvimento sustentável. Estamos lidando não apenas com a venda de planos, mas com a compreensão de pessoas, empresas e diferentes fases da vida. Quanto mais efetivo o diagnóstico, maior será a habilidade de oferecer soluções apropriadas, agregar valor aos beneficiários e garantir um avanço consistente para toda a indústria de saúde suplementar.



