O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, manifestou que o governo planeja abordar as apostas online, conhecidas como bets, como uma questão significativa de saúde pública. Ele propôs a adoção de regulamentos semelhantes aos que foram implementados contra o tabagismo no passado. Essa posição foi levada pelo Ministério da Saúde a uma reunião recente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o tema.
Padilha ressaltou a necessidade de restringir a publicidade das apostas, especialmente em relação aos horários de exibição e à proteção de crianças e jovens. Ele também mencionou a proibição da associação entre apostas e eventos esportivos. A experiência do Brasil com a regulamentação da publicidade de cigarros serve como referência, segundo o ministro, pois tais medidas podem ser eficazes na redução dos impactos da dependência.
Além disso, Padilha destacou que mais de 1,2 milhão de brasileiros já utilizaram a plataforma de autoexclusão desenvolvida pelos Ministérios da Saúde e da Fazenda para se afastar das plataformas de apostas. De acordo com ele, mais da metade dessas pessoas relatou problemas de saúde mental relacionados ao jogo compulsivo.
O ministério está oferecendo, através do portal Meu SUS Digital, um autoteste para ajudar a identificar questões associadas às apostas, juntamente com a opção de teleatendimento com psicólogos. Esse suporte é acessível tanto para indivíduos que perceberam a compulsão quanto para familiares afetados.
O ministro indicou que, embora haja maior incidência de problemas de compulsão entre os homens, a maioria das solicitações de atendimento psicológico é feita por mulheres. Para Padilha, esses dados evidenciam que os efeitos das apostas vão além dos apostadores, afetando suas famílias em diversas áreas, incluindo as finanças e o cuidado.
“Defendo que devemos tratar esse assunto da mesma forma que lidamos com o tabaco”, declarou Padilha, enfatizando a importância de usar dados de saúde para aprimorar políticas públicas e regulamentações relacionadas às apostas.



