sábado, setembro 26, 2026
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A Dança das Máscaras na Ilha de Monte Belo

Ou como dançar samba enquanto a banda toca rock progressivo durante a campanha eleitoral

Reprodução

A cada nova eleição, o cenário político no Espírito Santo se assemelha cada vez mais a uma comédia das situações. No último debate promovido, os candidatos ao governo do Estado demonstraram que, por trás das estratégias ensaiadas e das vestimentas adequadas, o que prevalece é a busca incessante por ataques obtusos.

No início, a cordialidade predominou, com apertos de mão, discursos eloquentes e um tom de aula. Porém, não tardou para que o clima mudasse. O candidato governista, representante da máquina pública, apresentou dados e gráficos para justificar a eficiência de sua administração. Em questão de segundos, os concorrentes destruíram suas afirmações, alegando manipulação dos dados de segurança e criticando a falta de atenção às áreas mais vulneráveis.

Por outro lado, o ex-delegado e ex-prefeito assumiu a postura de defensor da justiça, apontando falhas na política de segurança e questionando a inação do governista. Sua resposta foi direta e cortante, caracterizando o rival como um oportunista e enfatizando os problemas enfrentados pelas administrações municipais. O desgaste da imagem do candidato da lei aumentava a cada nova acusação sobre suas alianças com grupos políticos conservadores.

O terceiro candidato, um experiente parlamentar ligado ao sindicalismo e à educação, entrou em cena para criticar o que chamou de “estelionato social” promovido por seus adversários. Enfatizou a degradação dos serviços públicos, a escassez de investimentos nas instituições de ensino e as privatizações. Entretanto, foi rapidamente atacado em conjunto pelos opositores, que o acusaram de se distanciar das realidades do interior do Estado e de focar apenas em palanques nacionais.

O ambiente do estúdio parecia um cenário de comédia. Cada candidato se esforçou mais para conquistar aplausos do que para oferecer propostas concretas. O eleitor assistia a um debate que lembrava mais uma discussão em comunidade, na qual todos reclamavam do que não estava funcionando, mas poucos estavam dispostos a arcar com as consequências.

Após o encerramento do debate, a impressão deixada para o público era de familiaridade. No dia seguinte, nas calçadas, ônibus lotados e feiras, o consenso era claro: muita espuma para pouco resultado. As necessidades da classe trabalhadora e do cidadão comum foram ignoradas, ofuscadas por discursos ensaiados e pelas interrupções publicitárias. O show político continua, e o eleitor capixaba parece destinado a dançar enquanto a música insiste em tocar um ritmo insustentável.

Rubem Roschel é jornalista e cronista de quinta.

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