domingo, setembro 27, 2026
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SUS introduz procedimento cirúrgico para tratar catarata e glaucoma simultaneamente

O Sistema Único de Saúde (SUS) implementará um novo procedimento cirúrgico que permitirá o tratamento simultâneo de catarata e glaucoma. Esta medida foi oficialmente anunciada pelo Ministério da Saúde através de uma portaria divulgada no Diário Oficial da União na última quinta-feira, dia 17. O ministério terá um prazo de até 180 dias para implementar essa nova oferta na rede pública.

Esse procedimento será destinado a pacientes diagnosticados com catarata e glaucoma primário de ângulo aberto em estágios iniciais ou moderados, desde que a condição do glaucoma esteja sob controle com o uso de colírios. Embora ambas as doenças comprometam a visão, elas atuam de formas diferentes. A catarata se caracteriza pela opacidade do cristalino, a lente natural do olho, dificultando a passagem da luz. Para tratar essa condição, a cirurgia é necessária e consiste na remoção do cristalino afetado, que é substituído por uma lente artificial.

Por sua vez, o glaucoma é um grupo de doenças que causam danos progressivos ao nervo óptico, que transmite a informação visual ao cérebro. O aumento da pressão intraocular é um dos principais fatores de risco, resultado de uma drenagem inadequada do líquido ocular. Se não tratado, o glaucoma pode levar à perda de visão permanente. No Brasil, o glaucoma primário de ângulo aberto representa cerca de 60% dos casos diagnosticados. Nessa condição, enquanto a via de drenagem permanece aberta, o escoamento do líquido é prejudicado.

O tratamento do glaucoma na rede pública normalmente começa com colírios que visam reduzir a pressão ocular. Quando essas medicações não são eficazes ou causam intolerância ao paciente, opções de cirurgia a laser ou outros procedimentos são consideradas. Para casos leves a moderados, um dos tratamentos já disponíveis no SUS é o implante de drenagem oftalmológica, conhecido como iStent.

Com a nova intervenção, será possível tratar o glaucoma durante a cirurgia de catarata. Duas técnicas foram integradas a este novo procedimento: a goniotomia excisional, que envolve a remoção de parte do tecido que impede a drenagem, e a trabeculotomia transluminal, que utiliza um microcateter para ampliar a passagem no canal de drenagem do olho.

A escolha entre essas técnicas se baseia na anatomia do olho, nas características do glaucoma e na pressão que se pretende alcançar, de acordo com a avaliação do médico cirurgião. Ambas as intervenções serão realizadas em conjunto com a facoemulsificação, que é a técnica padrão para a remoção da catarata, onde o cristalino opaco é fragmentado e extraído por uma microabertura.

De acordo com o Ministério da Saúde, a abordagem combinada tem como benefícios a menor invasividade, a recuperação mais rápida, a redução dos riscos de complicações e um controle superior da pressão intraocular. Outro benefício potencial é a diminuição da dependência de colírios, embora isso não implique que todos os pacientes deixarão de necessitar de medicação, pois o acompanhamento médico continuará a ser essencial.

A avaliação financeira da medida também foi realizada, e a goniotomia excisional pode resultar em uma economia de cerca de R$ 18 mil por ano de vida saudável em comparação ao tratamento com iStent, com uma redução de custos total estimada em R$ 22,4 milhões no primeiro ano da implementação.

O projeto foi apoiado pela Umane, uma associação civil dedicada a promover iniciativas na área da saúde.

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