sábado, setembro 26, 2026
IníciosaudePlanos de saúde deverão cobrir implante de DIU hormonal; saiba mais.

Planos de saúde deverão cobrir implante de DIU hormonal; saiba mais.

Mais de 167 mil mulheres no Espírito Santo são diagnosticadas com endometriose, uma condição inflamatória benigna que se caracteriza pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero. Essa doença, que causa dor intensa, sangramentos severos e pode levar à infertilidade, geralmente é tratada com medicamentos, embora a cirurgia seja necessária em alguns casos.

A partir de 1º de outubro, os planos de saúde são obrigados a incluir o DIU hormonal na cobertura para mulheres que sofrem de endometriose e que apresentam contraindicações ao uso de anticoncepcionais orais combinados ou que não conseguem manter esse tipo de tratamento. A nova regulamentação contempla também a situação em que o uso do DIU está indicado na bula aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Resolução Normativa que estabelece essa mudança é a de número 680, publicada no dia 22.

A ginecologista e obstetra Anna Bimbato informou que o DIU hormonal já era utilizado para tratamento da endometriose, mas a falta de autorização na bula limitava seu uso. Quando os médicos solicitavam a cobertura pelo plano para essa finalidade, frequentemente enfrentavam obstáculos. Muitas pacientes se viam obrigadas a pagar pelo tratamento de forma particular ou recorrer à Justiça. Com a nova diretriz da ANS, a endometriose é agora reconhecida como um critério de cobertura obrigatória.

Entretanto, apenas o diagnóstico não é suficiente para garantir que o DIU será coberto pelo plano de saúde. A paciente precisa atender a um dos critérios estabelecidos pela ANS: a indicação deve estar prevista na bula, a paciente deve ter endometriose e contraindicações ao uso do anticoncepcional oral, ou não ter conseguido seguir esse tratamento. Para isso, o médico precisa registrar no relatório o diagnóstico e as razões pelas quais a pílula não é uma opção viável.

Karin Rossi, ginecologista e presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras do Espírito Santo, destacou que o dispositivo mais indicado para casos de endometriose é o DIU de levonorgestrel 52 mg (Mirena), que tem um custo aproximado de R$ 1.250. Esse tipo de DIU libera uma progestina que é benéfica em casos de adenomiose, condição que frequentemente acompanha a endometriose, levando à redução do tamanho do endométrio e do fluxo menstrual, que pode até ser eliminado.

Apesar de sua eficácia no controle dos sintomas, especialistas alertam que o DIU hormonal não é uma cura para a endometriose. Ele não reverte lesões já existentes, não resolve aderências, não trata a infertilidade e não substitui a cirurgia nos casos mais severos. É importante ressaltar que o DIU deve ser visto como uma opção a ser utilizada em conjunto com outras formas de tratamento.

A médica Thaissa Tinoco, que se especializa em endometriose, recomenda que, antes da inserção do DIU, as pacientes passem por uma avaliação ginecológica completa para descartar possíveis gestações e verificar condições que possam contraindicar ou dificultar o uso do dispositivo, como infecções pélvicas ativas, sangramentos uterinos sem diagnóstico e outras alterações. Ela enfatiza a complexidade da doença e a necessidade de personalização do tratamento.

Informações adicionais sobre a endometriose são significativas: atinge até 15% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil, que é aproximadamente 167 mil, conforme projeções do IBGE. Além disso, de 30% a 50% das mulheres afetadas enfrentam dificuldades para engravidar. A condição ocorre quando células semelhantes às do endométrio implantam-se em outras áreas, como ovários e trompas.

Os sintomas mais comuns incluem dores intensas durante a menstruação, dor durante relações sexuais, dor ao evacuar, dor ao urinar, dor pélvica persistente e dificuldade para engravidar. O tratamento pode envolver medicamentos que visam controlar os sintomas e, anualmente, muitas pacientes têm o DIU hormonal como uma alternativa para alívio dos incômodos, especialmente cólicas e sangramentos.

A partir de outubro, a cobertura do DIU hormonal é uma importante conquista para as mulheres que enfrentam essa condição e buscam opções de tratamento viáveis para o manejo da endometriose.

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -
Google search engine

mais vistos

comentarios