sábado, outubro 3, 2026
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O Que é Eficaz e O Que é Desperdício

Em uma conversa após um evento, uma mulher compartilhou sobre a bancada da sua cozinha repleta de potes de suplementos. Ela listou um multivitamínico completo, vitamina D, magnésio, ômega-3, colágeno, biotina para o cabelo e um suplemento de detox adquirido em uma promoção. Essa rotina já se estende por quase dois anos, e, embora ela gaste consideravelmente com esses produtos, continua sentindo-se cansada.

A dúvida que ela apresentou foi: “Será que está faltando algum?” A resposta é não; o problema está na superexposição a uma combinação que não traz benefícios. É importante esclarecer que a questão não é quantos potes são ingeridos, mas quem fez a medição e avaliação das necessidades individuais.

Nos lares brasileiros, é comum ter um multivitamínico à disposição, já que este é o suplemento mais vendido mundialmente. Ele representa uma parcela significativa do mercado de vitaminas no Brasil, com milhões de potes consumidos anualmente. Nos Estados Unidos, cerca de um em cada três adultos faz uso desse tipo de suplemento. A premissa por trás do multivitamínico é de conveniência: um único pote para toda a família, prometendo proteção.

Entretanto, essa simplicidade é enganosa. Mesmo registrado e vendido legalmente, um produto que não fornece os resultados esperados pode ser ineficaz. Vários estudos envolvendo grandes grupos de pessoas mostraram que o uso regular de multivitamínicos não está associado a benefícios significativos, como redução de câncer ou melhoria em saúde cardiovascular.

O que foi testado são produtos industriais, formulados para atender a doses diárias recomendadas (IDR) de vitaminas e minerais. Essa recomendação é, na verdade, uma média populacional, projetada para evitar deficiências clássicas, mas não necessariamente ajustada às necessidades individuais. A falta de avaliação das carências nutricionais específicas dos indivíduos foi uma falha crítica nos estudos.

Repor nutrientes em casos de carência identificada é eficaz, mas administrar a mesma cápsula com a mesma dosagem para uma população diversa não resulta em benefícios. Esse método de uso acaba se assemelhando a uma loteria.

As regulamentações que definem a categoria dos suplementos exigem que os produtos estejam dentro de limites máximos por nutriente, a fim de garantir a segurança da população, já que altas doses de certos nutrientes podem ser tóxicas. Isso significa que, muitas vezes, as fórmulas não contêm quantidades eficazes de nutrientes devido a essas normas.

Além disso, o mal uso de vários suplementos ao mesmo tempo pode prejudicar a absorção dos nutrientes. Minerais como cálcio e ferro, por exemplo, competem entre si na absorção intestinal, resultando em deficiências que não eram presentes antes. A combinação inadequada e o uso em jejum são outras razões pelas quais uma pessoa não percebe melhorias em sua saúde.

O mito de que “quanto mais, melhor” se aplica erradamente até aos suplementos que realmente têm benefícios, como a vitamina D e o ômega-3. A quantidade ideal de cada nutriente varia de pessoa para pessoa, e não há uma solução única para todos.

Para ter acesso a a suplementação eficaz, é essencial uma avaliação individual prévia, que considere sintomas, histórico médico e resultados de exames. Simplesmente adotar um suplemento que está em alta ou é popular não garante que a pessoa esteja atendendo suas reais necessidades nutricionais.

Os produtos disponíveis nas prateleiras podem cumpri funções de manutenção da saúde para indivíduos sem sintomas específicos, mas, em casos de deficiências diagnosticadas ou a necessidade de dosagens específicas, é fundamental contar com uma abordagem individualizada.

Para auxiliar na escolha de um nutriente adequado, é preciso responder a algumas perguntas importantes, como quais sintomas estão sendo tratados, se foi feita uma investigação das causas, se há avaliações que comprovem as carências, entre outras. Aqueles que não conseguem responder a três dessas questões devem considerar procurar um profissional.

Finalmente, enfatiza-se que o ideal é medir e formular uma dose específica de acordo com as reais necessidades de cada indivíduo. Não se trata de um consumo indiscriminado de potes, mas sim de um método orientado e fundamentado em dados concretos. É fundamental investir em saúde de forma consciente e informada.

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