quinta-feira, outubro 15, 2026
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Engenheiras Mudam de Carreira e Investem no Setor Cafeeiro

Tatiele Dalfior Ferreira inicia suas atividades muito cedo, ainda sob a luz escassa do amanhecer. Com 37 anos, ela, que é engenheira química e a terceira geração de uma família produtora de café em Governador Lindenberg, prioriza um dia produtivo ao lado de suas raízes. Após fazer suas orações e preparar um café da manhã tranquilo, Tatiele revisa a programação e faz os ajustes necessários para a rotina diária na propriedade familiar.

Durante as manhãs, seu foco está em questões burocráticas e de gestão. Já à tarde, a engenheira se dedica a percorrer as terras da propriedade, monitorando o progresso do trabalho no campo. O retorno ao seu lar não foi apenas uma decisão afetiva; foi uma escolha estratégica. Embora tivesse um futuro promissor no exterior, Tatiele optou por voltar para se conectar com sua família durante a pandemia. Ao vivenciar mais intensamente as operações agrícolas, percebeu a necessidade de sua presença para garantir a continuidade da herança familiar.

A transformação de sua visão sobre a propriedade se intensificou ao perceber que o amor pelo campo, aliado ao seu desejo de honrar o legado de seu pai, era parte crucial de sua decisão de permanecer. Tatiele não abandonou sua carreira e as competências adquiridas ao longo dos anos; ao contrário, trouxe inovações ao setor cafeeiro familiar, aprimorando os processos de pós-colheita, secagem e controle de qualidade.

A engenheira aplica seus conhecimentos técnicos para otimizar o uso de fertilizantes e defensivos, e destaca que a produção agrícola depende não apenas dela, mas também de seus colaboradores e de expectativas superiores. A busca por modernização levou Tatiele a se associar à Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), a maior cooperativa de café conilon do Brasil, buscando apoio técnico e acesso a tecnologias inovadoras.

Carlos André Santos de Oliveira, diretor-executivo do Sistema OCB/ES, ressalta que as cooperativas oferecem suporte essencial, além de abrir portas para novos mercados e tecnologias. Ele enfatiza ainda a importância das cooperativas no fortalecimento e na permanência das novas gerações no campo.

O Censo Cooperativista 2026 revelou que 2.846 jovens estão envolvidos no ramo agropecuário no Espírito Santo, com um aumento significativo da participação feminina entre os cooperados. A presença de mulheres e jovens na gestão das propriedades propicia uma visão renovada, trazendo inovação e criatividade às práticas agrícolas.

No mesmo sentido, Larissa Diirr Bertoli, de 27 anos e formada em Engenharia de Alimentos, também está contribuindo com sua experiência no cultivo de café em sua propriedade familiar. Com a intenção de valorizar a produção de café conilon, que sua família sempre cultivou sem o devido reconhecimento, Larissa passou a aplicar seus conhecimentos universitários para otimizar processos e enxergar o potencial de sua produção.

Ela sempre acompanhou seu pai na lavoura e notou a dedicação dele, mas desejava que a produção tivesse uma identidade própria. Após participar de uma pesquisa sobre a qualidade do café conilon, Larissa convenceu sua família a investir em novas técnicas de secagem e processamento. O primeiro lote experimental foi produzido em 2021 e a família começou a colher os frutos dessa mudança.

Com um quinto lugar em um concurso municipal e novas estratégias de comercialização, a família, composta por Odair José Bertoli, 53 anos, e Alcione Patrícia Diirr Bertoli, 48 anos, se dedicou a aprimorar a qualidade e expandir a produção. A associação à Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul) em 2025 marcou um passo importante para o negócio, alinhando-se a práticas de comércio justo e sustentabilidade.

Investimentos em infraestrutura, como despolpadores e estufas, foram feitos para garantir um processamento mais eficaz e um controle rigoroso das etapas pós-colheita. O Sítio Doce Grão, nome que reflete a doce característica da bebida, se tornou sinônimo de qualidade e empenho familiar.

O secretário de Agricultura do Espírito Santo, Enio Bergoli, destaca que a nova geração, bem formada e motivada, está contribuindo para o desenvolvimento do agro, utilizando ciência e tecnologia para trazer inovações ao negócio. Os Bertoli, por exemplo, vêm apresentando o produto em feiras e investindo continuamente na capacitação de todos os membros da família para atender às demandas do mercado.

Na propriedade de Tatiele, planos futuros visam melhorar ainda mais a produção, com atenção especial à modernização dos processos e ao uso crescente de alternativas sustentáveis, preparando o terreno para uma agricultura mais inovadora e ecológica.

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