A campanha para o segundo turno das eleições presidenciais está em plena evolução, com diversos segmentos da economia observando atentamente as propostas dos candidatos, especialmente aqueles ligados à construção civil. Este setor, que depende fortemente de financiamentos de longo prazo, sente os impactos diretos das taxas de juros.
A construção civil representa aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Conforme as estimativas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), espera-se um crescimento de 1,2% para 2026, após um progresso de 0,5% em 2025, mesmo diante de um cenário de juros elevados.
Neste ano, o setor tem se destacado por causa de importantes projetos de infraestrutura e iniciativas como o programa Minha Casa, Minha Vida. No segundo trimestre, as vendas cresceram 5,3% em comparação ao mesmo período de 2025. Porém, os desafios persistem, como a alta nos juros, o endividamento das famílias e a elevação dos preços de materiais e da mão de obra.
A construção civil, que emprega mais de 3 milhões de pessoas, detém o maior salário médio inicial do país, com um valor de R$ 2.631,65, superando a média nacional que é de R$ 2.404,34. Nos 12 meses até julho, os custos do setor aumentaram 6,44%, em contraste com a inflação oficial de 4,44% no mesmo período. Entre os itens que mais contribuíram para esse aumento estão o fio de cobre, com alta de 21,35%, e porta interna, com 16,06%.
O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira, aponta que os desafios enfrentados pelo setor estão concentrados, principalmente, nos segmentos de média e alta renda, que são mais dependentes do crédito imobiliário. A inflação continua a pressionar as margens de lucro das construtoras. Yorki Estefan, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, ressalta a importância de estabelecer uma agenda focada em abarcar a redução de custos, o aumento da produtividade e a criação de condições que favoreçam novos investimentos e a oferta de habitação e infraestrutura.
Entre as prioridades estão a desburocratização dos processos de aprovação de projetos, a criação de um Código de Obras Nacional e a ampliação do acesso ao financiamento. Aroeira também destaca que, devido à forte dependência do setor em relação às condições econômicas, a busca por um equilíbrio fiscal é fundamental para a redução das taxas de juros, além de reformas estruturais, como a administrativa.
Ieda Vasconcelos, economista da CBIC e do Sinduscon-MG, menciona que as taxas de juros elevadas impactam negativamente os investimentos de longo prazo. Isso não afeta apenas aqueles que compram imóveis, mas também os construtores que necessitam de capital de giro.
Ohw 2027, as perspectivas permanecem incertas. Embora exista uma expectativa de crescimento sustentado pela demanda por habitação, a intensidade desse avanço dependerá da saúde das contas públicas e do comportamento das juros, que devem permanecer em patamares elevados.
Outro tema em pauta é a proposta de redução da jornada de trabalho de 6×1. A CBIC alerta que essa mudança precisa vir acompanhada de estratégias para incremento da produtividade, visto que uma diminuição das horas trabalhadas poderia aumentar os custos da mão de obra e impactar o custo total das obras.
O SindusCon-SP, por sua vez, também defende a necessidade de ajustes na legislação relacionada à terceirização e revisão das multas para demissões sem justa causa, visando um aumento na eficiência.
A questão do crédito imobiliário é uma prioridade para o setor, que busca formar e atrair mão de obra qualificada. A entidade propõe um plano de carreira para capacitar jovens e suavizar os preconceitos em relação a algumas profissões na construção civil. Além disso, a agenda ambiental é um componente essencial, com foco em métodos de construção sustentáveis e redução das emissões de carbono.
No que diz respeito ao financiamento habitacional, que está amplamente vinculado a recursos do FGTS, poupança e mercado de capitais, a CBIC apresentou ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central sugestões para melhorar o sistema. A proposta é aumentar de 80% para 90% o direcionamento dos recursos da poupança para o financiamento residencial.
A CBIC argumenta que essa alteração poderá liberar até R$ 75 bilhões adicionais para o financiamento habitacional, com juros de até 12% ao ano para imóveis de até R$ 2,25 milhões.
A reforma tributária também exige atenção do setor, que pede que suas particularidades sejam consideradas e que as empresas tenham tempo suficiente para se adaptar às novas regras. A CBIC critica os atrasos na disponibilização das ferramentas necessárias, enquanto o SindusCon-SP defende um prazo adequado para que as empresas se ajustem ao novo sistema tributário e revisão dos contratos de obras públicas, que podem ser impactados pelo aumento dos custos.


