Em 2024, ao utilizar mensagens de texto, o ator Pablo Sanábio, de 44 anos, começou a enfrentar dificuldades para compreender o que digitava. Esse episódio foi apenas o início de uma série de esquecimentos e momentos de confusão mental, que acabaram levando ao diagnóstico de glioma, um tipo de tumor cerebral.
Sanábio recorda um dia em que, após sofrimentos com convulsões, decidiu buscar atendimento médico. Exames revelaram uma lesão em sua cabeça, levando os médicos a optarem por uma cirurgia para investigar melhor a condição.
Durante um evento comemorativo do grupo farmacêutico Servier do Brasil, no Rio de Janeiro, Sanábio compartilhou sua experiência. Ele destacou a importância do cuidado em relação aos sintomas que podem indicar problemas mais sérios. A neuro-oncologista Caroline Chaul, do Hospital Sírio-Libanês, explica que os gliomas são os tumores cerebrais primários mais frequentes, embora representem uma doença rara, correspondendo a 1% a 2% de todos os tumores diagnosticados. A maioria dos pacientes afetados por essa condição são jovens, geralmente entre 36 e 40 anos.
Uma pesquisa do Instituto Oncoguia revelou que muitos pacientes passam por dificuldades ao buscar informações, e cerca de 40% não conseguem entender imediatamente o diagnóstico em sua primeira consulta. Essa confusão contribui para um quadro angustiante e confuso para quem enfrenta a doença.
Os reflexos que o glioma provoca na vida dos pacientes são significativos, com 65% dos entrevistados confessando que reduziram sua carga horária de trabalho ou precisaram se afastar. Para oferecer informações confiáveis aos pacientes, a Servier do Brasil lançou a campanha “Isso é um Glioma”, com o objetivo de orientar e informar sobre os sintomas e a condição.
Sanábio expressa sua determinação em compartilhar sua experiência e envolver-se ativamente em discussões sobre o glioma. Um de seus maiores medos, durante o diagnóstico, era não ver sua filha, Manuela, de 9 anos, crescer. Ele ressaltou que visualizava momentos importantes da vida dela, como sua formatura e futuras viagens.
Em uma conversa sobre o impacto da doença em sua vida profissional, Sanábio revelou que estava se preparando para uma novela quando foi diagnosticado e tinha medo das consequências. Felizmente, a lesão foi removida com sucesso. O retorno ao trabalho foi fundamental para sua recuperação; ele se emocionou ao perceber que ainda conseguia lembrar e decorar os textos.
O ator também destacou o suporte que recebeu de amigos e familiares, garantindo que a rede de apoio é essencial durante momentos como esse. Para aqueles que estão passando por diagnósticos semelhantes, Sanábio aconselha a nunca perder a esperança e a construir uma rotina diária de força e motivação.
Uma pesquisa recente indicou que o diagnóstico de glioma cerebral pode levar mais de um ano para ser confirmado. Entre os entrevistados, 20% relataram mais de um ano entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença. Outros 45% levaram de três meses a um ano.
A presidenta da Oncoguia, Luciana Holtz, observou que a dificuldade em identificar os primeiros sinais da doença pode causar ansiedade e incerteza. A neuro-oncologista Chaul ressalta que os sintomas iniciais do glioma podem ser confundidos com outras condições, complicando o diagnóstico. O exame mais eficaz para detectar a doença é a ressonância magnética, mas muitos pacientes enfrentam barreiras para acessar esses exames durante a investigação.
As dificuldades financeiras também são uma preocupação, uma vez que os pacientes costumam recorrer a consultas e exames particulares enquanto aguardam o diagnóstico. Dados da pesquisa sugerem que é fundamental melhorar a comunicação entre os profissionais de saúde para oferecer um atendimento mais coordenado e sensível às necessidades dos pacientes.
O glioma cerebral se origina nas células gliais do sistema nervoso central e é um dos tumores primários mais comuns, apesar de ser considerado raro. Os sintomas podem variar conforme a localização do tumor, incluindo convulsões, alterações na fala, problemas de memória e dificuldades de coordenação. O tratamento pode englobar cirurgia, quimioterapia e radioterapia, dependendo do tipo e localização do tumor, e visa aumentar a sobrevida enquanto mantém a qualidade de vida do paciente.


