A morte do cantor Netinho, aos 60 anos, ocorrida nesta terça-feira (13) em Salvador, na Bahia, em decorrência de complicações ligadas a um linfoma não Hodgkin, destaca a complexidade dessa enfermidade, que pode apresentar variados comportamentos e, muitas vezes, não provoca sintomas claros no início.
O artista lutava contra um linfoma não Hodgkin de tipo B, que progrediu para insuficiência renal e falência múltipla de órgãos, conforme divulgado por sua assessoria. É importante notar que, embora alguns tipos desse câncer tenham um desenvolvimento agressivo, há outros que evoluem de forma lenta e podem não exigir tratamento imediato. A identificação do subtipo da doença é crucial para determinar o tratamento adequado e as chances de cura.
De acordo com especialistas, o linfoma não Hodgkin é um câncer que se origina nos linfócitos, que são células do sistema imunológico. Essas células estão principalmente localizadas nos gânglios linfáticos, mas também podem afetar órgãos como pele, pulmões e trato gastrointestinal, dependendo do tipo da doença.
A especialista observa que existem linfomas que se desenvolvem rapidamente e outros que são considerados indolentes, com crescimento mais lento. Por conta disso, nem sempre um diagnóstico implica a necessidade de tratamento imediato; a decisão é baseada nas características específicas da doença e na avaliação do paciente.
Um dos principais sinais de alerta para o linfoma é o aumento gradual dos gânglios linfáticos, que podem se manifestar em regiões como pescoço, axilas e virilha. É fundamental ficar atento ao crescimento desses nódulos, especialmente quando não estão associados a infecções. Um nódulo duro que persiste no tempo, sem dor, pode ser um indicativo de risco.
Além disso, há sintomas que podem surgir conforme a área afetada. O comprometimento dos gânglios no abdômen pode gerar dor abdominal, enquanto o envolvimento do tórax pode levar à tosse e dificuldade para respirar. Outros sinais gerais incluem febre inexplicável, perda de peso sem esforço, cansaço excessivo, nódulos na pele e anemia quando a medula óssea é afetada. Contudo, a especialista alerta que esses sintomas não são exclusivos do linfoma e podem ocorrer em outras condições.
O aumento dos gânglios linfáticos é uma reação comum durante infecções e a diferença principal reside na evolução do quadro. Nódulos que aumentam durante infecções e diminuem depois são comuns e não são motivos para preocupação, enquanto aqueles que persistem ou aumentam precisam ser investigados. A orientação é procurar um médico se os sintomas se mantiverem ou piorarem ao longo do tempo.
Em relação à prevenção, a maioria dos linfomas não tem uma causa específica conhecida, o que dificulta estabelecer formas de prevenção. No entanto, adotar um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, abstinência do tabaco e atividade física regular, pode ajudar a manter a saúde em geral. Tais cuidados não garantem a não ocorrência da doença, mas podem auxiliar na recuperação em caso de tratamento.
As chances de cura e controle do linfoma não Hodgkin variam conforme o tipo e a extensão da doença. Mesmo linfomas agressivos podem apresentar boas taxas de resposta ao tratamento. Estima-se que a taxa de cura de muitos linhagens oncológicas ultrapasse 60%, embora isso varie significativamente entre os diferentes subtipos.
O tratamento em si dependerá do tipo específico de linfoma e pode incluir quimioterapia, muitas vezes combinada com imunoterapia, e radioterapia em determinadas circunstâncias. Nos casos de recaída, o transplante de medula óssea pode ser recomendado. Novas abordagens, como a terapia com células CAR-T e anticorpos biespecíficos, têm surgido como opções promissoras para melhorar as taxas de cura e qualidade de vida dos pacientes.
Embora certos tipos de linfoma sejam mais comuns em pessoas acima de 50 ou 60 anos, a doença pode afetar indivíduos de todas as idades, inclusive crianças. A idade é um fator considerado na avaliação, mas não é o único critério. O comportamento da doença e as opções de tratamento dependem principalmente do subtipo e das características de cada paciente.
Diante de sintomatologia persistente, recomenda-se buscar avaliação médica para investigação da causa. Embora a prevenção de todos os casos de linfoma não seja possível, um diagnóstico adequado é fundamental para determinar o tratamento mais eficaz para cada situação.



