Diante da crise em sua equipe de campanha, após as direções nacionais do Podemos e do União Brasil anunciarem apoio ao candidato Lorenzo Pazolini (Republicanos), o governador Ricardo Ferraço (MDB) está implementando uma nova abordagem no segundo turno.
Na terça-feira, dia 13, Ricardo enfrentou questões sobre a relação com os partidos pós-declarações, tanto durante uma entrevista na TV quanto na coluna De Olho no Poder. O governador optou por centrar seus esforços no diálogo direto com a população, sem entrar em polêmicas ou mencionar nomes.
“Ao conversar com o produtor rural, vejo que ele não se importa com questões políticas. Minha missão como governador é unir o Estado e garantir seu avanço contínuo. As disputas políticas ficam em segundo plano”, refletiu Ricardo.
Ainda no primeiro turno, as alianças e articulações políticas tiveram papel significativo na campanha do governador.
Ricardo possui a maior coligação do pleito, que inclui não apenas o MDB, mas também o apoio do Podemos, Agir, PSB, PDT, Cidadania, PSDB e a superfederação União Progressista, composta pelas legendas PP e União Brasil.
Além disso, o governador recebeu a adesão da maioria dos prefeitos, tanto da Região Metropolitana quanto do interior, participando de diversos eventos com lideranças políticas em várias localidades.
Conforme se destaca, Ricardo entrou no segundo turno em desvantagem, acumulando 15 pontos a menos que Pazolini, que quase venceu no primeiro turno.
O resultado inicial influenciou a posição das legendas em nível nacional e também movimentações de alguns líderes locais.
“Tropa do Delega” se une a Pazolini
No Podemos, apesar do dirigente estadual Gilson Daniel reafirmar apoio a Ricardo, algumas lideranças do partido estão alinhadas à instância nacional e optando por endossar Pazolini.
O delegado Leandro Sperandio (Podemos), recém-eleito deputado estadual com 32.965 votos, declarou apoio a Pazolini e tem participado das atividades de campanha do candidato.
Sperandio mencionou em um vídeo: “Atenção, Espírito Santo. A Tropa do Delega é 10”. Ele destacou sua amizade e colaboração de 20 anos com Pazolini, que conheceu na Polícia Civil.
O delegado também divulgou uma nota do Podemos nacional, afirmando ter feito um primeiro turno independente, mas agora se unindo a Pazolini no segundo turno.
Sperandio já esteve no PL e no Republicanos e em 2024, planejou candidatar-se à prefeitura de Aracruz pelo partido de Pazolini, mas acabou desistindo na fase de pré-campanha.
Foto com significado
Na última sexta-feira, os presidentes do PP e do União Brasil, deputados Da Vitória e Marcelo Santos, respectivamente, foram fotografados ao lado de Pazolini durante um café, imagem que foi compartilhada no Instagram do candidato.
Embora não houvesse um pronunciamento oficial de apoio ao ex-prefeito, a falta de declaração de apoio a Ricardo por parte dos deputados gerou especulações.
Informalmente, ficou apurado que Marcelo e Da Vitória permitiram suas bases a escolherem a quem apoiar, isso após a assinatura de uma nota pelo presidente nacional do União, respaldando Pazolini.
O ex-prefeito de São Mateus, Daniel da Açaí (PP), que disputou as eleições para a Assembleia e ficou como suplente, também declarou apoio a Pazolini. Idem para Dr. Sidiclei (PP), ex-prefeito de Pancas.
PP e União seguem na administração?
Como já mencionado, nem Marcelo nem Da Vitória se manifestaram sobre o apoio da instância nacional do União ao ex-prefeito e a foto com Pazolini.
Oficialmente, a coligação permanece inalterada. Para o segundo turno, PP e União seguem apoiando Ricardo, contribuindo com sua participação no tempo de TV e rádio para as campanhas eleitorais.
Se de fato as bases foram liberadas, o reflexo prático disso será uma diminuição visível da militância nos eventos de rua, além de um trabalho de bastidores discreto. Isso porque um apoio explícito dos dirigentes a Pazolini forçaria uma ruptura com o Palácio Anchieta, com custos políticos evidentes.
Atualmente, PP e União compõem a administração, contando com cargos de destaque indicados pelos deputados no primeiro escalão. O União possui a Secretaria Estadual de Esporte (Sesport) enquanto o PP é responsável pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb). Até agora, nenhum dos partidos se retirou das pastas.
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