No dia 5 de outubro, comemorou-se o Dia Internacional da Empresa Familiar, chamando a atenção para um modelo de negócio que é fundamental para a economia brasileira, mas enfrenta sérios desafios, sendo a sucessão o principal deles.
Dados recentes do IBGE revelam que aproximadamente 90% das empresas no Brasil possuem características familiares, contribuindo com cerca de 65% do PIB e gerando 75% dos empregos. Essas empresas estão presentes em diversas áreas, desde pequenas padarias de bairro até grandes indústrias com abrangência nacional.
Apesar de sua relevância econômica, apenas uma fração dessas empresas sobrevive às gerações futuras. Estimativas indicam que apenas 30% conseguem alcançar a segunda geração, enquanto cerca de 12% atingem a terceira. A dificuldade para perpetuação do negócio não deriva, na maioria dos casos, da falta de mercado ou habilidades técnicas, mas da falta de preparação para a transição de liderança.
É crucial que as famílias empresárias entendam que sucessão é um processo contínuo e não um evento isolado. A discussão sobre esse tema deve ser desencorajada como um tabu e deve ser abordada antecipadamente como parte de uma estratégia a longo prazo. Empresas que se organizam adequadamente conseguem enfrentar este período crítico de transição de maneira mais tranquila.
Essa preparação abrange três esferas que coabitam dentro da empresa familiar: a família, o negócio e a propriedade. Estabelecer boas práticas de governança é essencial para equilibrar esses três elementos. Instrumentos como protocolos familiares, acordos de sócios, conselhos de família e planos sucessórios definem normas fundamentais para a gestão por familiares, a escolha de sucessores e o processo decisório.
Definir regras em tempos de tranquilidade é um modo eficaz de evitar conflitos durante crises. A governança vai além da prevenção de disputas; preserva também a identidade única das empresas familiares.
É nesse contexto que se destaca a importância dos valores e do propósito. Uma sucessão eficaz não apenas transmite bens e a liderança, mas também o significado do negócio, garantindo que os princípios que norteiam a empresa sejam levados adiante.
Outro aspecto fundamental é compreender que sucessão vai além de simplesmente indicar um herdeiro para substituir o fundador. Este processo envolve a identificação de competências e o preparo de lideranças, sendo crucial dissociar os laços afetivos das obrigações empresariais. Ter um familiar na gestão não é imprescindível, e a continuidade do negócio pode exigir profissionais qualificados que atuem em conjunto com a família.
O mais importante é realizar uma transição embasada em critérios claros, responsabilidades bem definidas e habilidades de liderança, assegurando que a nova geração esteja plenamente preparada para assumir a posição.
Empresas familiares que valorizam um propósito e sólidos princípios, além de abordarem a sucessão mediante planejamento e governança, têm maior chance de se manterem ativas por gerações. O melhor tributo que uma família empresária pode prestar ao seu legado é iniciar esse diálogo; afinal, a longevidade não é fruto do acaso, mas uma construção consciente.



