quarta-feira, outubro 28, 2026
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Boicotes e Ameaças de Demissão se Intensificam no Estado Após as Eleições

Cidades em todo o Brasil, incluindo o Espírito Santo, estão enfrentando uma onda de perseguição a indivíduos e empreendimentos que supostamente apoiam o presidente reeleito Lula (PT). A situação inclui a divulgação de listas de boicote a estabelecimentos e profissionais identificados como petistas, similar ao que foi observado em 2022. Denúncias de assédio eleitoral em locais de trabalho também têm sido reportadas.

Foram identificadas listas de boicote em pelo menos cinco cidades do Espírito Santo: Afonso Cláudio, Cachoeiro de Itapemirim, Guaçuí, Guarapari e Vitória. Esse comportamento parece ser uma prática comum entre grupos de extrema direita em várias localidades, evocando lembranças dos boicotes nazistas contra judeus na Alemanha no início do século XX.

Em Guaçuí, a hamburgueria Maju Roll Burguer foi uma das atingidas pela chamada “lista de lojas de esquerda”. Julio Curty, que recentemente reabriu o negócio com sua esposa, expressou por meio das redes sociais seu descontentamento. Ele comparou a atual situação à de 2022, afirmando que a nova lista é “covarde e criminosa”. Curty comentou que sempre foi discreto em relação às suas convicções políticas, atendendo a clientes de diferentes matizes ideológicos, e apesar da adversidade, recebeu apoio de pessoas de várias posições.

O advogado Lucas Neto, que também foi alvo de uma lista de boicote em Guarapari, afirmou que a criação e divulgação dessas listas constituem crimes, uma vez que visam provocar danos deliberados a profissionais e negócios. Ele argumenta que essas ações podem ser enquadradas como ameaças e perseguições, conforme as definições do Código Penal que tratam de ameaças injustas e graves, como forçar alguém à falência por questões políticas.

Perseguições no ambiente de trabalho

O Sindicato dos Trabalhadores em Drogarias, Farmácias e Distribuidoras de Produtos Farmacêuticos e Hospitalares do Estado expressou preocupação com possíveis casos de perseguição nos locais de trabalho. Em um comunicado recente, a entidade divulgou que o Ministério Público do Trabalho registrou 47 denúncias de assédio eleitoral até o dia 27 de outubro de 2026, com uma soma de 163 ocorrências desde 2020. Isso inclui pressões durante campanhas eleitorais e represálias pós-eleição, como ameaças de demissões.

A entidade enfatiza que demitir ou não contratar um trabalhador com base em sua orientação política caracteriza discriminação e assédio, ferindo direitos fundamentais consagrados pela Constituição e pela legislação trabalhista. Tais atos podem acarretar sanções para os responsáveis.

Investigação em torno de um fotógrafo

O fotógrafo Rafael Duarte, de Cachoeiro de Itapemirim, foi alvo de investigação do Ministério Público do Trabalho em razão de suas postagens nas redes sociais. Em uma de suas publicações, ele criticou os denunciantes e reagiu ironicamente à rapidez do inquérito. Rafael compartilhou um discurso polêmico no qual incentivava a demissão de empregados e prestadores de serviços identificados como petistas, defendendo que o voto deles prejudicaria negócios e vidas pessoais.

Além disso, Bertony Fagundes, criador de conteúdo, destacou uma lista de “estabelecimentos de direita” em Cachoeiro, dizendo que a publicação atendeu a pedidos, e que anteriormente negou ser o responsável pela lista dos “estabelecimentos petistas” que circula na cidade.

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