A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos foi marcada por uma elaborada operação logística na Argentina, conforme investigações recentes. O ex-senador, que foi derrotado nas eleições presidenciais de 2022, deixou o Brasil em um momento crucial, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) exigiu a entrega de seus passaportes à Polícia Federal, logo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a apuração, Flávio realizou três entradas registradas em um curto espaço de tempo, todas com documentos distintos, além de contar com a escolta de uma van e a ajuda de um homem identificado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel. Detalhes sobre essa movimentação foram apresentados em uma matéria que revelou a complexidade da operação.
Os registros indicam que a fuga teve como ponto de partida a cidade de Puerto Iguazú, na Argentina. Essa localidade, vizinha a Foz do Iguaçu, no Paraná, abriga um aeroporto internacional adequado para a recepção de jatos executivos. A reportagem ainda apontou que Flávio embarcou em um jato privado que partiu de Brasília para Buenos Aires, às 5h05 do dia 27, em um voo vinculado ao advogado Willer Tomaz. Sua esposa e filhas fizeram um percurso distinto, partindo da capital para Cascavel, no Paraná.
Contrariando o esperado, a investigação apontou que a Dallas Turismo, empresa mencionada na logística da fuga, possui um registro que apenas corresponde a um estacionamento, e trabalhadores locais afirmaram que a agência nunca funcionou como uma transportadora.
Com a confirmação de documentos, duas vans cruzaram a fronteira em direção à Argentina na noite da fuga, uma das quais transportava a esposa e as filhas de Flávio. O sistema migratório argentino registrou a entrada do senador usando um passaporte italiano em três ocasiões diferentes, mas cancelou os registros feitos com documentos brasileiros. O motorista da outra van transportava, além do advogado Roberto Jorge Alexandre, o suposto ex-oficial de inteligência israelense, Menachem Booky Halevy.
Após chegar a Puerto Iguazú, Flávio permaneceu horas à espera da família no avião, gerando questionamentos sobre o controle de imigração e o uso de escolta policial. As autoridades argentinas encomendaram a preservação de imagens de segurança do aeroporto para investigar o caso.
Além disso, uma viagem subsequente em jato de luxo, que custou US$ 150 mil e foi organizada por um intermediário norte-americano, reforçou ainda mais as suspeitas sobre a natureza do deslocamento de Flávio. O apoio veio de Jason Miller, um assessor ligado à Casa Branca.
Atualmente, Flávio e sua família estão na Flórida com uma autorização temporária de entrada, que pode se transformar em residência permanente, conforme informações sobre a concessão de um “passe” por parte das autoridades estadunidenses. A chegada dos Bolsonaro aos EUA foi acompanhada por complicações, pois Flávio apresentou um passaporte diplomático brasileiro cancelado ao desembarcar.
Em resposta a toda a situação, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta ressaltando que não se arrepende de suas ações e criticou a intimação recebida para entrega dos passaportes, alegando que sua saída se deu por razões irreais apresentadas contra ele.



