O diagnóstico de câncer de mama provoca transformações significativas na vida da mulher. Assim que se estabelece o diagnóstico, o planejamento do tratamento é iniciado, exigindo a realização de vários exames em tempo curto. O tratamento pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia.
Nesse contexto, é crucial que mulheres em idade fértil recebam orientação sobre a preservação da fertilidade, por meio do congelamento de óvulos ou embriões. Existe um prazo de aproximadamente duas semanas entre o diagnóstico e o início do tratamento, um tempo que pode ser decisivo para aquelas que ainda aspiram à maternidade. É durante esse intervalo que se torna possível realizar o congelamento.
O mês de outubro é destinado à conscientização sobre o câncer de mama, sendo uma oportunidade para abordar um aspecto frequentemente negligenciado nas campanhas: o futuro reprodutivo das mulheres que enfrentam essa doença.
O tratamento oncológico pode afetar negativamente os ovários, levando à diminuição da reserva ovariana. A quimioterapia, por exemplo, ataca células que se dividem rapidamente, incluindo os folículos ovarianos. Dependendo da medicação, da dosagem e do tempo de tratamento, os danos podem ser temporários ou permanentes. Pesquisas revelam que cerca de 80% das pacientes que realizam quimioterapia para câncer de mama estão em risco de desenvolver amenorreia, resultando em um quadro que pode levar a uma menopausa precoce.
Além da quimioterapia, a radioterapia na região pélvica e alguns tipos de cirurgias podem prejudicar a função ovariana. A consequência prática é que, para muitas mulheres, o tratamento que pode salvar vidas também pode limitar a capacidade de ter filhos, a menos que sejam adotadas medidas antes do início do tratamento.
A oncofertilidade é um campo que une oncologia e medicina reprodutiva, com a clara missão de manter a possibilidade de maternidade para mulheres em idade fértil que estão prestes a passar por tratamentos oncológicos que possam comprometer a função ovariana. A principal estratégia é o congelamento de óvulos ou embriões, que deve ser realizado antes do início da quimioterapia. O processo envolve uma estimulação ovariana de 10 a 12 dias, após a qual os óvulos são coletados e, no caso do congelamento de óvulos, vitrificados; se forem embriões, são fertilizados e armazenados.
Nos casos onde não há tempo para aguardar o ciclo menstrual, existem protocolos que permitem o início da estimulação em qualquer fase do ciclo, otimizando o tempo sem comprometer a segurança. Se o congelamento de óvulos não for viável devido à falta de tempo ou contraindicações, outras alternativas como medicamentos que suspendem temporariamente a atividade ovariana durante a quimioterapia podem ser consideradas.
A discussão sobre a preservação da fertilidade deve ocorrer imediatamente após o diagnóstico, antes que qualquer tratamento seja decidido. Quanto mais cedo a mulher for encaminhada para um especialista em reprodução, mais opções estarão à sua disposição. Dados indicam que todas as pacientes que receberam orientações sobre preservação da fertilidade antes do tratamento oncológico reconheceram a importância dessa informação.
Toda mulher em idade fértil diagnosticada com câncer de mama deve ser informada sobre as alternativas de preservação de fertilidade antes de iniciar o tratamento. É essencial que as pacientes consultem seus oncologistas sobre o encaminhamento a especialistas em reprodução. Existe vida após o câncer, e essa vida pode incluir a possibilidade de ter filhos.



