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Aumento de crimes contra pessoas em situação de rua gera preocupação!

A polícia prendeu um homem acusado de atuar como “exterminador”; dois outros casos foram registrados no Estado.

Na última quinta-feira (7), a Polícia Civil do Estado (PCES) realizou uma coletiva para discutir um crime cometido por um homem definido como “exterminador de moradores de rua”. Este crime não é isolado, pois pelo menos mais dois casos severos de violência contra essa população foram contabilizados em abril.

O acusado, identificado como Marcelo Campos de Jesus, de 37 anos, foi detido no dia 1º de maio por ser suspeito do homicídio de Vanilson Ferreira, de 50 anos, no bairro Planalto Serrano, em Serra. O assassinato ocorreu no dia 27 de abril e foi capturado por câmeras de segurança. As gravações mostraram Vanilson dormindo em uma calçada, enquanto o suspeito se aproxima, observa ao redor, pega um bloco de concreto de um bueiro e o lança contra a cabeça da vítima. Em seguida, o acusado recolhe o bloco, subtrai R$ 12 do bolso de Vanilson e foge do local.

Vanilson foi encontrado na manhã seguinte e levado ao Hospital Jayme dos Santos Neves, onde faleceu na terça-feira (5) em decorrência dos ferimentos. A polícia teve acesso às imagens da câmera no dia 30 de abril e prendeu Marcelo no dia seguinte. Durante o depoimento, o suspeito, que também vive na rua, alegou ter cometido o crime em retaliação a uma agressão sofrida por parte de Vanilson dois meses antes, mas a polícia refutou essa justificativa, uma vez que Marcelo estava na Bahia na época mencionada.

Além disso, a Polícia Civil suspeita de que Marcelo tenha assassinado outras seis pessoas em situação de rua em Teixeira de Freitas, na Bahia, entre 9 de novembro de 2025 e 7 de abril, quando se deslocou para o Espírito Santo. Os homicídios compartilhavam uma característica comum: todos foram cometidos com golpes contundentes na cabeça ou rosto das vítimas.

A família da vítima, que mantinha contato com Vanilson, residia nas proximidades do ocorrido. “Apesar de [Vanilson Ferreira] estar em situação de rua, ele era bastante apreciado na região de Planalto Serrano. Ele ajudava comerciantes coletando latinhas e montando barracas nas feiras, transportando compras para os moradores, e por isso era bem-visto. Ele não incomodava ninguém, não roubava e causava danos a ninguém. Na verdade, ajudava os comerciantes e era querido por todos, tanto que ficou evidente a consternação pela sua morte”, comentou o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra.

O delegado evidenciou a contradição entre estar em situação de rua e ser uma “pessoa querida”. É relevante mencionar que, apesar dos homicídios anteriores, a polícia tratou a morte de Vanilson como um latrocínio, ao invés de um crime motivado por ódio, considerando a intenção de roubo por parte do suspeito. De qualquer forma, a situação revela um cenário de desumanização da população que vive nas ruas.

Um outro caso, ocorrido recentemente, demonstra ainda mais essa realidade desumanizadora. No dia 29 de abril, dois vigilantes de uma empresa de segurança foram detidos sob a acusação de sequestrar, torturar e assassinar um homem em situação de rua na Praia do Suá, em Vitória. Outros seis funcionários também estariam implicados nesse crime.

A Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Vitória emitiu uma nota de repúdio sobre a situação. No documento, reivindica: a investigação rigorosa e a responsabilização dos envolvidos diretamente no ato – os dois já detidos e os seis suspeitos, além de qualquer mandante que possa existir; que as autoridades aumentem as medidas de acolhimento e segurança para a população em situação de rua, enfrentando tanto a violência privada quanto a institucional; e que a sociedade capixaba não permaneça em silêncio diante do massacre dos pobres, já que o silêncio se torna cúmplice da injustiça.

Em um incidente adicional, no dia 22 de abril, o Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) prendeu um homem de 30 anos, suspeito de incendiar o corpo de um homem em situação de rua, de 33 anos, em Nova Almeida, na Serra. A vítima foi levada ao Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves, mas não há informações atualizadas sobre seu estado de saúde.

Enquanto isso, em Marataízes, um policial militar conhecido como Cabo Vidal, tornou-se notório nas redes sociais por realizar vídeos mostrando abordagens agressivas a indivíduos em situação de rua. O policial é pré-candidato a deputado estadual pelo MDB.

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