quinta-feira, agosto 27, 2026
IníciosaudeBrasil iniciará o rastreamento do diabetes tipo 5, relacionado à desnutrição.

Brasil iniciará o rastreamento do diabetes tipo 5, relacionado à desnutrição.

O Brasil iniciará o rastreamento de pacientes diagnosticados com diabetes tipo 5, um procedimento inédito tanto no país quanto no cenário global. A informação foi divulgada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) durante um congresso realizado no Rio de Janeiro no dia 26. As primeiras áreas a serem atendidas serão o Norte e o Nordeste, localidades que apresentam altos índices de insegurança alimentar e desnutrição.

Essa decisão é motivada pelos problemas nutricionais que caracterizam esse tipo de diabetes, o qual costuma ser confundido com o tipo 1. Especialistas alertam que há muitos indivíduos com diabetes tipo 5 recebendo tratamento inadequado para tipo 1, o que coloca esses pacientes em risco.

O diabetes tipo 5, embora identificado na década de 1950, voltou a ganhar atenção recentemente, após discussões entre especialistas no ano passado. Ele é classificado como diferente dos tipos conhecidos, pois se manifesta em pessoas muito magras, geralmente com menos de 30 anos, e que necessitam de doses menores de insulina.

Essas características podem levar ao diagnóstico incorreto do tipo 5, já que frequentemente se associa a juventude e baixo peso a fatores hereditários, como ocorre no tipo 1. O tipo 2, por sua vez, é mais comum e se relaciona à resistência à insulina, frequentemente associada a condições como a obesidade.

O diabetes tipo 5 possui uma peculiaridade notável: seus portadores não exibem resistência à insulina e não apresentam risco de cetoacidose, que é uma emergência médica típica da falta do hormônio. A condição é resultado de uma falha nas células que produzem insulina, consequência de deficiências nutricionais.

Pacientes diagnosticados erroneamente com diabetes tipo 5 e tratados como tipo 1 podem receber doses excessivas de insulina, o que traz riscos como a hipoglicemia. Essa situação ocorre porque a insulina faz com que as células absorvam glicose e diminui a liberação de açúcar pelo fígado. Em situações graves, a queda acentuada da glicemia pode resultar em confusão mental, convulsões, perda de consciência, coma e até óbito, especialmente quando a insulina é administrada sem necessidade de reposição adequada.

Atualmente, existem poucas evidências sobre a remissão desse tipo de diabetes. No entanto, ajustar a insulina e modificar a dieta do paciente pode ajudar a restaurar o controle glicêmico. O objetivo do rastreamento e da coleta de dados sobre a doença é desenvolver novas alternativas de tratamento. Além da SBD, essa implementação contará com a colaboração de outras entidades de saúde e universidades.

A Federação Internacional de Diabetes estima que cerca de 16,6 milhões de adultos no Brasil convivem com diabetes. O tipo 1 afeta aproximadamente 500 mil indivíduos, enquanto mais de 90% dos diagnósticos são de diabetes tipo 2.

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