Em menos de um ano, o deputado estadual do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), tornou-se uma figura proeminente na política nacional, surpreendendo a todos no primeiro turno das eleições. A possibilidade de se tornar o próximo governador do estado depende agora de uma decisão judicial, que pode ocorrer ainda nesta quinta-feira (8), eliminando a necessidade de um segundo turno contra Eduardo Paes (PSD) marcado para o dia 25.
Até o final de 2022, Ruas não era considerado um candidato forte para a chefia do Palácio Guanabara, sede do governo fluminense. No entanto, a prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União Brasil), elevou o deputado a principal escolha de Flávio Bolsonaro (PL) para a liderança do estado.
Ruas, que tem 37 anos e é filho do ex-prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, iniciou sua carreira como policial civil. Em sua trajetória política, assumiu diversos cargos, como subsecretário de Trabalho e secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais, antes de ser eleito deputado estadual com 175.977 votos, obtendo a segunda maior votação em 2022. Alinhado a Cláudio Castro (PL), Ruas foi nomeado como secretário das Cidades do município durante o segundo mandato do governador, retornando à Assembleia Legislativa em março, quando foi anunciado como pré-candidato ao governo.
Na véspera do primeiro turno, uma pesquisa indicava que Paes liderava com 49% dos votos válidos, enquanto Ruas alcançava 40%. Reeleito para o quarto mandato à frente da prefeitura do Rio, Paes era considerado o favorito, tendo mantido a liderança nas pesquisas durante a campanha. Contudo, nos trabalhos realizados nas urnas, Ruas obteve 49,2% dos votos válidos e poderá ser proclamado vencedor se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a anulação dos votos do candidato Anthony Garotinho (Republicanos).
A movimentação política nos últimos dias fez com que muitos eleitores indecisos se voltassem para Douglas Ruas, especialmente à medida que ele era associado à candidatura de Flávio Bolsonaro. Garotinho, que teve sua candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral, ainda assim conseguiu 274,4 mil votos, cerca de 3,1% dos válidos. Contudo, o candidato do Republicanos anunciou que abriria mão do recurso no TSE, o que deverá resultar na anulação dos votos dele, elevando a porcentagem de Ruas acima dos 50%, garantindo sua vitória no primeiro turno.
Os planos do PL para Bacellar sofreram um golpe após um desentendimento político com Castro, que resultou em uma manobra que o colocou na linha sucessória do Executivo. A crise se intensificou quando Bacellar foi preso sob suspeita de vazamento de informações sobre operações policiais, favorecendo um ex-deputado envolvido com a facção criminosa Comando Vermelho. A situação se agravou em março deste ano, quando Castro decidiu renunciar ao cargo de governador para se candidatar ao Senado, a fim de evitar uma possível cassação por abuso de poder nas eleições de 2022. Tanto Castro quanto Bacellar foram condenados pelo TSE à perda de direitos políticos por oito anos.
Com a vacância dos cargos, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, assumiu interinamente o governo do estado. Em abril, Ruas foi eleito presidente da Alerj, o que o colocou como potencial sucessor ao cargo de governador, além de lhe proporcionar uma base sólida para a campanha de 2026. Entretanto, o ex-prefeito Eduardo Paes passou a defender a realização de uma eleição suplementar para o cargo, levando o caso ao Supremo Tribunal Federal. Com as eleições de 2026 se aproximando, Couto permaneceu no cargo interino até que um novo mandatário fosse empossado.


