quinta-feira, outubro 8, 2026
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“Durigan expressa sua dificuldade em compreender a euforia do mercado após o primeiro turno”

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta quarta-feira, 7, que as promessas da direita em relação a um superávit de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) são irrealistas e constituem uma ilusão para o eleitor. Durante sua participação no 9º Incorpora Abrainc – Rotas para 2027, voltado em grande parte para empresários do setor de construção civil, o ministro afirmou: “A direita fala sobre esse superávit e isso simplesmente não é crível, quem compra isso, compra a ilusão”.

Durigan advertiu sobre o perigo de aceitar promessas que não podem ser cumpridas no debate público: “Acreditar em ilusões, como fizemos no passado, é um erro”. Ele enfatizou que a agenda econômica deve focar na responsabilidade fiscal, na credibilidade e em um esforço constante para a melhoria das contas públicas, evitando soluções simplistas. “O País precisa de responsabilidade fiscal e esforço contínuo”, apontou.

De acordo com o ministro, uma das metas imediatas do governo é trabalhar na redução da taxa de juros e reforçar um regime fiscal confiável. “Precisamos revisar a taxa de juros e implementar uma política fiscal que realmente possa ser crível”, afirmou. Durigan reiterou a vontade do governo de manter e aprimorar o arcabouço fiscal existente, ressaltando que “fizemos uma regra fiscal que precisa ser aperfeiçoada, mas que deve ser mantida”.

Ele ressaltou que a previsibilidade nas regras fiscais é fundamental para reduzir a taxa de juros de maneira estrutural e para melhorar as expectativas em termos de investimento e crescimento. Ao comparar a performance macroeconômica do atual governo com gestões passadas, o ministro destacou que os dados são favoráveis e que a inflação no Brasil se encontra em níveis historicamente baixos. “A inflação no Brasil é a menor entre todos os governos”, afirmou, acrescentando que o governo atual não é inferior ao anterior em termos de números e dados.

Durigan criticou a política fiscal do governo predecessor, mencionando que houve uma expansão das despesas sem clareza sobre as fontes de financiamento. “O governo anterior cometeu equívocos na área fiscal, aumentando gastos sem especificar de onde teria o recurso”, declarou. O ministro também comentou que sua gestão não enfrentou rebaixamentos por parte de agências de classificação de risco: “No nosso governo, não houve rebaixamento da nota de crédito”.

Dirigindo-se ao setor da construção, ele mencionou que a administração atual implementou medidas de estímulo e desoneração, incluindo aspectos da pauta trabalhista. “Foi o nosso governo que desonera a folha de pagamento”, afirmou aos presentes.

Concluindo sua fala, Durigan reafirmou seu compromisso com as diretrizes econômicas do governo, minimizando interpretações sobre sua permanência no cargo como uma questão pessoal: “Minha atuação é pautada por princípios, não por apego ao cargo”.

Sobre as eleições de 2026, o ministro expressou sua empolgação e sua expectativa por um ambiente de normalidade democrática no país, em contraste com o clima das eleições de 2022. “Entendo que as eleições são um aspecto positivo no Brasil. Como não sou negacionista da democracia, acredito que as pessoas devem votar, e os resultados das urnas devem sempre ser bem recebidos e interpretados”, disse, acreditando que 2026 será um ano diferente, com uma democracia vibrante.

Sua declaração foi vista como uma mensagem política em meio ao período eleitoral, com o segundo turno se aproximando e o mercado já sendo impactado por previsões eleitorais. Durigan questionou a ideia de que a recente melhoria em ativos financeiros, caracterizada pela queda do câmbio e valorização da bolsa, seria resultado de uma euforia relacionada à expectativa de mudança de governo. Ele acredita que a reação do mercado se baseia mais em suposições do que em fatos concretos: “Tenho dificuldade em compreender essa euforia”.

Em relação às comparações entre gestões, Durigan ressaltou que não se pode esperar uma melhoria fiscal baseada apenas em promessas sem fundamentos. Ele declarou que “vender promessas vazias, como a privatização em massa ou reduzir 1,5% do PIB em um curto espaço de tempo sem esclarecer o método, é complicado”.

Defendendo as políticas econômicas da administração atual, o ministro trouxe à tona resultados passados e indicadores de risco como provas da consistência da trajetória do governo. Ele também mencionou que o risco-país diminuiu sob a atual gestão, em contraste com o aumento verificado no governo anterior.

Ainda, Durigan frisou a importância de uma reforma tributária como um elemento essencial para aumentar a produtividade e criticou, sem citar nomes, aqueles que promovem a produtividade sem explicar suas propostas. Para ele, a reforma tributária é uma importante conquista de produtividade no Brasil pós-1988, aproximando o país de padrões internacionais.

Dirigindo-se às questões do setor de construção civil, reforçou a necessidade de uma parceria entre o Estado e a iniciativa privada, alertando sobre os perigos de um retrocesso caso uma agenda de desmonte prevaleça. Ele também destacou a importância de programas habitacionais e instrumentos de financiamento, como o uso do FGTS, visando ampliar o crédito e enfrentar o déficit habitacional.

Finalmente, Durigan reconheceu o desafio histórico das despesas crescendo acima das receitas desde a metade da década passada, mas destacou que o novo arcabouço fiscal pretende modificar essa situação ao estabelecer que o aumento dos gastos não ultrapasse a arrecadação. “Esta não é uma regra fiscal que criamos para ser cumprida pelo próximo governo nos próximos 20 anos; é um modelo que buscamos cumprir durante a nossa gestão e reforçar desde já”, concluiu.

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