quarta-feira, outubro 7, 2026
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Evento em Vitória discute a saúde dos cuidadores de pessoas com autismo

A rotina de cuidar de uma criança que apresenta deficiência ou Transtorno do Espectro Autista abrange diversas áreas, como terapias, consultas médicas, tratamentos medicamentosos, adaptações escolares e a busca incessante por direitos e apoio. Em meio a esse trajeto, a saúde e o bem-estar de mães, pais e cuidadores tendem a ficar em segundo plano, embora a saúde emocional deles tenha um impacto significativo na dinâmica familiar.

Essa temática será abordada na Jornada “Quem Cuida de Quem Cuida – Até Aqui Eu Aguentei”, programada para o dia 31 de outubro, em Vitória. O evento é uma iniciativa da Fisioterapeuta intensivista em UTI neonatal e pediátrica, Elisângela Valentim, e será realizado pela Habilitar Clínica de Terapias Pediátricas, reunindo profissionais de diversas áreas e pessoas que compartilharão vivências sobre saúde mental, relações familiares, direitos, proteção e luto.

Quem questiona sobre a saúde do cuidador?

Segundo Elisângela, a proposta parte de uma reflexão que precisa ser feita antes que o desgaste dos cuidadores chegue a um ponto crítico. Ela observa que muitos permanecem comprometidos com a rotina mesmo quando se sentem emocionalmente sobrecarregados.

“Quando um cuidador atinge seu limite, geralmente isso acontece em silêncio. Ele continua acordando cedo, levando a criança para as terapias, administrando medicamentos, indo às consultas e batalhando por direitos, enquanto tenta manter a casa em ordem. Entretanto, por dentro, ele já está exaurido. O problema é que muitos cuidadores aprenderam a crer que precisam ser fortes o tempo todo. Ao admitirem que estão cansados, sentem uma culpa intensa, como se isso significasse amar menos o próprio filho,” afirma Elisângela.

Quando o cuidado se torna tudo

A sobrecarga pode ir além das consultas e terapias, impactando várias áreas da vida familiar. Relações interpessoais, amizades, trabalho, finanças e momentos de lazer podem ser afetados quando o cuidado toma conta do dia a dia.

“Isso não implica que haja falta de amor pelo filho. Significa que essas pessoas também são seres humanos”, ressalta Elisângela, ao se referir a cuidadores que sentem falta da própria identidade e de atividades que faziam parte de suas vidas anteriormente.

A programação do evento inclui discussões sobre as consequências do cuidado prolongado nos relacionamentos, dependência afetiva e financeira, violência e as dificuldades de equilibrar proteção e autonomia. Também estão previstas conversas sobre direitos e benefícios que podem auxiliar famílias atípicas.

Uma rede de apoio para toda a família

A proposta da Jornada é ampliar a abordagem para além do indivíduo que recebe os cuidados médicos ou terapêuticos. Para Elisângela, é fundamental que o apoio chegue antes que o cuidador atinja um ponto de exaustão.

O encontro reunirá especialistas em saúde mental, psicologia, Direito e proteção, além de relatos pessoais sobre experiências de violência, luto e superação. A iniciativa visa criar um espaço para discutir os desafios emocionais e práticos encontrados por famílias atípicas, ressaltando a importância de acolher também aqueles que sustentam a rotina de cuidados.

Serviço

Jornada “Quem Cuida de Quem Cuida – Até Aqui Eu Aguentei”
Data: 31 de outubro
Horário: das 7h15 às 18h
Local: The Garden Cerimonial, em Vitória
Realização: Habilitar Clínica de Terapias Pediátricas
Idealização: Elisângela Valentim

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