segunda-feira, novembro 2, 2026
IníciosaudeFilhos de pais divorciados apresentam 41% mais risco de desenvolver depressão.

Filhos de pais divorciados apresentam 41% mais risco de desenvolver depressão.

Um artigo recentemente publicado na Psychiatry Research trouxe à tona uma questão significativa para as famílias: filhos de pais que se divorciam apresentam 41% mais chances de serem diagnosticados com depressão. Entretanto, especialistas ressaltam que esses dados devem ser analisados com cautela.

A pesquisa levou em conta, além do divórcio, elementos relacionados ao ambiente familiar, como histórico de doenças mentais e consumo de substâncias pelos progenitores. Ao considerar a presença de doenças mentais nos pais, a correlação entre o divórcio e a depressão na fase adulta diminuiu em 68%.

A associação entre essas variáveis também foi reduzida ao levar em conta outros fatores que podem influenciar adversamente a infância.

O psicoterapeuta Bernardo Carielo destaca que não se pode afirmar que o divórcio seja a causa direta da depressão. Ele observa que, embora haja uma relação entre a separação dos pais e a incidência de depressão, isso não estabelece uma relação de causa e efeito. Segundo Carielo, o mais relevante é como a criança experimenta o divórcio e as dinâmicas familiares em cada fase do processo, ressaltando que a forma como cada um vivencia essa mudança é mais impactante do que a separação em si.

A psiquiatra Sarha Andrade comenta que um estresse intenso e prolongado durante a infância pode afetar o desenvolvimento cerebral das crianças, especialmente em relação aos sistemas que regulam o estresse e as emoções. Ela afirma que, ao crescer, isso pode resultar em uma maior predisposição à depressão. Andrade observa também que muitas vezes a separação é fruto de um ambiente familiar já problemático.

Valber Dias Pinto, psiquiatra, enfatiza a importância de se analisar não apenas a separação, mas também o contexto familiar anterior e as transformações que ela provoca. De acordo com ele, mais relevante do que o divórcio em si, é o estado de saúde mental dos pais, sem que a separação garanta problemas de saúde mental para a criança.

Uma rede de apoio composta por familiares e a diminuição dos conflitos pode favorecer uma adaptação mais saudável para os filhos após o divórcio.

O estudo

O estudo, publicado na Psychiatry Research, foi conduzido por pesquisadores de instituições dos Estados Unidos e do Canadá, utilizando dados do Behavioral Risk Factor Surveillance System (BRFSS) coletados entre 2021 e 2024.

Aspectos analisados

Os pesquisadores realizaram comparações entre adultos que enfrentaram o divórcio dos pais na infância e aqueles cujos pais permaneceram juntos. Foram incluídos também adultos cujos pais nunca se casaram.

Além da depressão

Os resultados indicam que filhos de pais divorciados ou não casados têm uma probabilidade significativamente maior de relatar sofrimento mental frequente no último mês, com taxas de 13,6% e 16,3%, respectivamente, em comparação a 8,5% entre aqueles com pais unidos. O mesmo padrão se observou em relação a diagnósticos de depressão ao longo da vida, com 19,2% e 18,7% contra 14,1% do grupo de pais casados.

A análise também evidenciou que o ajuste para a saúde mental dos pais diminuiu em 68% a associação entre o divórcio e a depressão na vida adulta, e em 52% a entre pais não casados e a depressão.

Um dado relevante

Cerca de 25% dos participantes do estudo vivenciaram o divórcio dos pais antes de completar 18 anos. Aqueles que relataram ter sofrido abuso físico ou sexual durante a infância foram excluídos da pesquisa.

Conclusão

Os autores do estudo concluem que a saúde mental dos pais e outras adversidades da infância desempenham um papel crucial na associação identificada. Portanto, não se pode afirmar que o divórcio, por si só, seja a causa da depressão na vida adulta.

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