Um gavião-asa-de-telha, chamado Shiluba, foi designado a uma tarefa especial no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), localizado em Vitória. A missão é afastar os pombos que frequentemente ocupam a região ao redor da instituição. Desde sua chegada, há quatro meses, o gavião tem contribuído para um programa de controle ambiental que recorre à presença de um predador natural para incentivar os pombos a buscarem refúgio em outras áreas.
Shiluba voa de forma programada, acompanhado por um falcoeiro especializado. O método não busca a captura das aves, mas sim diagnosticar a localização da população de pombos e, por meio da presença do gavião, tornar a área menos atrativa para eles.
A iniciativa foi proposta pelo biólogo David Salles, que coordena o controle ambiental do Hucam, após a observação de um aumento expressivo na população de pombos, identificado ao longo de um planejamento que começou há dois a três anos.
Com cuidados rigorosos devido à natureza da unidade de saúde e seus pacientes, muitos com imunidade comprometida, a medida de controle busca minimizar riscos sanitários associados a um maior número de pombos.
A equipe de controle ambiental começou com um censo inicial ao redor do hospital, em que foram identificados cerca de 60 pombos, seguido pela elaboração de um cronograma de voos para o gavião. As atividades ocorrem em horários estratégicos, principalmente pela manhã, momento em que os pombos costumam estar mais próximos de seus locais de abrigo.
O gavião não permanece solto no hospital, sendo trazido apenas conforme a programação da empresa encarregada do serviço. Inicialmente, os voos ocorriam com frequência diária, mas a intensidade foi ajustada conforme a observação dos resultados. Um novo levantamento para verificar a quantidade atual de pombos está em andamento, e já se percebe uma diminuição significativa na presença desses animais.
O projeto foi adotado após tentativas frustradas de controle, como a instalação de barreiras físicas e o uso de repelentes, que não se mostraram eficazes na estrutura dispersa do hospital. Diante das dificuldades apresentadas pela configuração do espaço, que oferece diversos locais de abrigo, a solução com gavião tem se mostrado a mais eficiente até agora.
A utilização do gavião também visa minimizar os riscos de doenças relacionadas às fezes de aves, como a histoplasmose e a criptococose, além de prevenir danos às infraestruturas devido ao acúmulo de excrementos que podem danificar telhados e sistemas de climatização.
Para evitar o crescimento da população de pombos, é fundamental que a comunidade evite alimentá-los, pois isso favorece a reprodução e concentração das aves em áreas urbanas. Além disso, a redução de locais que possam servir de abrigo, como frestas em construções, complementa as ações de controle implementadas.
O trabalho de Shiluba ilustra que a vigilância sanitária de um hospital abrange não apenas as áreas internas, mas também a fauna circundante, contribuindo para a segurança de pacientes, funcionários e visitantes.



