quarta-feira, setembro 30, 2026
Inícioespirito santoGrupos exigem a expulsão de PMs implicados na morte de casal lésbico

Grupos exigem a expulsão de PMs implicados na morte de casal lésbico

Uma manifestação do movimento LGBTI+ está programada para o sábado (9) em Cariacica, exatamente um mês após o assassinato de um casal de mulheres lésbicas no bairro Cruzeiro do Sul. O ato acontecerá na Praça Monsenhor Rômulo Neves Balestrero, em Campo Grande, das 9h às 11h30, com o objetivo de exigir a demissão dos policiais militares implicados na tragédia. Os organizadores do evento defendem que a manifestação é um chamado por respostas concretas diante do que consideram mais um caso de violência institucional e LGBTfobia.

O ato é promovido por coletivos, como o CORES e TransEncruzilhadas, e também conta com a participação de fóruns LGBTI+ da Grande Vitória, além de militantes de diversos partidos políticos. Em sua convocação, os organizadores expressam que este evento é uma busca por “justiça pela memória das vítimas”, reiterando que se trata de uma luta pelo direito à vida, ao amor e à liberdade.

O incidente que originou o protesto ocorreu no dia 8 de abril. Segundo relatos coletados pelo movimento, uma discussão entre vizinhas culminou na execução de Francisca e Daniele. A denúncia indica que o policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, não atuando em serviço ao momento, se dirigiu ao local junto a outros agentes e disparou contra as duas mulheres.

O comunicado do movimento afirma que o policial “atirou à queima-roupa contra Francisca e Daniele, que estavam desarmadas e sentadas na calçada, sem que representassem qualquer ameaça”. A denúncia também menciona que outros sete policiais presentes na cena não intervieram, descritos como “executor e expectadores de um crime brutal”. Os organizadores criticam a lentidão da investigação pela corregedoria da Polícia Militar do Estado (PMES).

Informações adicionais sobre a conduta do policial acusado também são relevantes. Segundo os organizadores, Luiz Gustavo já teria estado envolvido em episódios de agressões em outras abordagens e teria sido responsável pela morte de uma pessoa trans em 2022. Este caso anterior, que envolveu disparos contra uma travesti conhecida como Lara Croft, também gerou polêmica e segue tramitando sem conclusão na Justiça, com a comunidade contestando a versão oficial.

Para o movimento, a permanência do acusado na corporação é indicativa de profundas falhas estruturais. “A corporação não pode acolher cidadãos com preconceitos e visões distorcidas que resultem na morte de um casal”, questiona a nota divulgada. A data da manifestação foi cuidadosamente escolhida para coincide com o luto de um mês pelo crime, enfatizando a importância de lembrar as vítimas e a urgência por respostas das autoridades.

O Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros no Espírito Santo (Fonatrans-ES) também ressaltou a persistência de falhas na supervisão dos policiais, alertando para a negligência institucional que pode trazer consequências letais. O movimento critica a atuação das forças de segurança, evidenciando que, apesar de algumas melhorias em protocolos e investigações, as denúncias de abusos, em especial contra travestis e mulheres trans, continuam.

João Pedro Rigoni, do Coletivo Cores, sublinha que o assassinato não pode ser visto de forma isolada, mas como parte de um quadro mais amplo de crescente violência e LGBTfobia. Ele reitera que o crime deve ser examinado sob três ângulos: o aumento da LGBTfobia, as falhas institucionais e um contexto em que muitos agentes reproduzem visões machistas e agressivas.

O ativista questiona a eficácia das ações tomadas até agora. Embora os policiais tenham sido afastados, ele pede que sejam punidos de forma rigorosa. “É inaceitável que policiais que estiveram envolvidos no crime continuem a receber salários públicos”, enfatiza.

As críticas em relação à conduta da Polícia Militar se estendem a outros casos de violência, como a morte de um jovem em 2025 e de um homem que foi assassinado durante uma rendição em 2022. Os organizadores afirmam que existe um padrão de letalidade policial que deve ser enfrentado com urgência. Eles observam que a situação no Espírito Santo reflete um aumento preocupante na brutalidade e mortalidade policial, associando isso ao fortalecimento de discursos que justificam a violência em nome da segurança pública.

Além de exigir responsabilização criminal, os manifestantes clamam por reformas estruturais na Polícia Militar e pela criação de políticas públicas mais eficazes para a população LGBTI+. Eles também propõem a aprovação de legislações contra a misoginia e medidas contra discursos de ódio. A manifestação é vista como uma forma de pressionar o Estado e reafirmar a resistência do movimento.

“Ao ir às ruas, exigindo justiça e denunciando injustiças, não vamos aceitar o desrespeito aos nossos corpos”, conclui João Pedro.

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -
Google search engine

mais vistos

comentarios