A Justiça decidiu soltar Nilo Perovano Ferreira, implicado em casos de tortura e cárcere privado em Vila Velha. Essa determinação foi publicada na quinta-feira, dia 29, e considerou que o suspeito permaneceu encarcerado por seis meses sem que o Ministério Público do Espírito Santo apresentasse denúncia formal.
Nilo havia sido preso em flagrante no dia 20 de abril, juntamente com uma outra suspeita. Na ocasião, uma mulher foi resgatada em estado grave após ser mantida em cárcere privado e agredida de forma brutal dentro de um apartamento. A vítima ficou cerca de quatro dias na situação de abuso.
Durante a audiência de custódia, o juiz decidiu pela manutenção da prisão de Nilo, enquanto a co-investigada teve liberdade provisória com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Na decisão judicial emitida nesta quinta, o juiz ressaltou que a permanência de Nilo na detenção por aproximadamente seis meses não foi causada pela defesa, o que levou à sua libertação. O pedido de soltura foi feito pelo Ministério Público, que também solicitou novas medidas para a continuidade das investigações.
Em abril, a mulher resgatada foi encontrada nua, amarrada a um colchão com cintos, coberta de sangue e incapaz de se mover. O resgate resultou após o suspeito solicitar a ajuda de um homem para limpar a vítima, que se recusou e ameaçou chamar a polícia. Este homem, então, foi agredido pelo suspeito.
Nos relatos do testemunho, o suspeito afirmou ter agredido a mulher com um alicate, detalhando que ela não conseguia mover as pernas e estava gravemente ferida.
A Polícia Civil finalizou seu relatório de investigações no dia 3 de setembro. Nele, foi indicado que não existiam provas suficientes para sustentar a acusação de tentativa de homicídio, porém foram encontrados indícios de agressões e cárcere privado.
Nilo continua sob investigação por tortura, cárcere privado e associação criminosa. O Ministério Público pediu novas ações, incluindo o depoimento da vítima, que ainda não prestou declarações devido a problemas de confusão mental e a necessidade de cuidados médicos. A Justiça concedeu um prazo de 60 dias adicionais para estas diligências.
A co-investigada foi liberada do uso da tornozeleira eletrônica no início de outubro, mas outras medidas cautelares permanecem em vigor. A defesa dela declarou que irá acompanhar o desdobramento do caso. O outro suspeito conta com assistência de um defensor público, enquanto a equipe de reportagem tenta estabelecer contato.
Por fim, a Secretaria de Estado da Justiça informou que a Central de Alvarás ainda não recebeu o alvará de soltura para proceder com a transferência de Nilo para a unidade prisional.



