A confiança é fundamental na relação entre médico e paciente, e quando essa conexão se estende por anos, torna-se um laço que pode ser passado entre gerações. Na área da pediatria, esse laço adquire uma importância ainda maior, pois, além de cuidar do crescimento da criança, o médico também deve oferecer apoio aos pais, que muitas vezes têm dúvidas e preocupações sobre a saúde de seus filhos.
No Dia do Médico, celebrado em 18 de outubro, a trajetória do pediatra Pedro Scarpi exemplifica bem esse relacionamento construído ao longo das décadas. Há 30 anos, ele atende crianças em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. Durante sua carreira, ele acompanhou pacientes desde os primeiros meses de vida e agora recebe no consultório os filhos de pessoas que foram seus pacientes na infância.
Um exemplo significativo dessa continuidade é Luana Blunck Albuquerque, que aos 28 anos retornou ao consultório de Pedro para que ele pudesse cuidar de sua filha, Aurora. Luana foi paciente do médico até os 18 anos, tendo sido levada a ele ainda bebê, a partir de uma indicação da Unimed Sul Capixaba. Após se mudar para a capital para estudar Odontologia, Luana decidiu que Pedro continuaria a ser o pediatra da sua primogênita e, não parou por aí: ele também atenderá o recém-nascido Marcos Antônio.
Luana expressou sua escolha com confiança: “Eu queria alguém de confiança para acompanhar os meus filhos. Sabia que ele ainda estava atuando e que teria o mesmo carinho que teve comigo. Hoje em dia, é tão difícil encontrar um atendimento humanizado.”
A relação de Luana com Pedro começou em um momento crítico quando seus pais enfrentavam dificuldades para detectar a causa de um problema de saúde de Luana ainda bebê. Ela relata que recebeu um tratamento atencioso, onde o pediatra se empenhou em buscar uma segunda opinião médica e acompanhou sua internação posteriormente.
Esse cuidado fez com que seus pais continuassem a busca pelo pediatra ao longo dos anos. Quando Luana decidiu ter filhos, o carinho e a dedicação do médico pesaram na decisão de escolher Pedro para cuidar de Aurora.
Pedro Scarpi considera esse reconhecimento como um dos principais sinais de seu trabalho eficiente. “Quando um paciente passa dos 18 anos e traz o filho aqui, é sinal de que realmente marquei. Se tivesse havido um problema, não teriam voltado. A confiança que os pacientes têm em nós é fundamental.”
O acolhimento oferecido por Pedro vai além dos pacientes. Luana recorda a preocupação sentida durante os primeiros meses de vida de Aurora, que apresentava refluxo. Preocupada, ela iniciou uma troca intensa de mensagens com Pedro, que atende suas aflições com paciência e clareza.
Outro depoimento é de Ana Carolinny Viana Scarpi, de 27 anos, que também é paciente de Pedro. Ana foi acompanhada pelo pediatra durante a infância devido a alergias e agora leva sua filha, Sarah, de 4 anos, para consultas com o mesmo médico. Ela destaca a forma com que Pedro se comunica com as crianças, tornando o atendimento mais humanizado.
Ana relembra um episódio especialmente marcante durante as primeiras semanas de vida de Sarah, quando teve dificuldades na amamentação. Pedro a tranquilizou, afirmando que o bem-estar dela também era crucial para a saúde da criança, uma orientação que proporcionou paz durante um período de insegurança.
A trajetória de Pedro Scarpi na medicina começou em uma escola pública e, após se formar na Universidade Federal do Espírito Santo, ele passou por três anos de residência em Pediatria em São Paulo e mais dois em Vitória, antes de voltar para Cachoeiro em 1996. Ele atuou em áreas como terapia intensiva pediátrica e supervisionou a UTI pediátrica no Hospital Infantil Francisco de Assis por 25 anos.
Ele também foi diretor e presidente da Unimed Sul Capixaba em mandatos consecutivos. Nesse momento, é conselheiro da cooperativa e presidente do Sistema OCB/ES. Ao refletir sobre sua profissão, ele enfatiza que, independentemente do avanço tecnológico, a atenção humanizada e a conversa com os pacientes devem se manter como pilares. Ele acredita que o valor da dedicação e da empatia não muda, não importa a posição social do paciente.
Pedro afirma que a relação deve ser construída tanto com a criança quanto com os pais, e a confiança mútua é essencial para um acompanhamento eficaz. “Não adianta os pais gostarem do médico se a criança não se sente confortável, e vice-versa. A confiança é fundamental para que a relação de cuidado seja bem-sucedida.”



