A família de Luiz Emmanuel Pinto, conhecido como Emmanuel 7Linhas, está mobilizada após seu trágico assassinato. A deputada estadual Camila Valadão (Psol) está pressionando as autoridades para uma investigação aprofundada do caso.
Após a morte do artista em um ataque a tiros em Vila Velha na madrugada de sexta-feira (8), familiares e amigos se uniram para arrecadar fundos que cobrem as despesas do velório, por meio de uma vaquinha. A deputada Camila Valadão enviou um ofício ao delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Jordano Bruno, solicitando a investigação rigorosa dos fatos.
No ofício, Valadão enfatizou a importância de que todas as motivações, incluindo possíveis crimes de ódio ou ações direcionadas a indivíduos em situações de vulnerabilidade social, sejam consideradas. A deputada também solicitou a proteção de testemunhas e familiares das vítimas, dada a atmosfera de medo na comunidade local, e pediu atualizações sobre as ações tomadas pelas autoridades.
Mayrianne Mattos, filha de Emmanuel 7Linhas, falou sobre seu encontro com a deputada durante o velório, ocorrendo no sábado (9). Ela relembrou que seu pai, como ativista, denunciou a violência e foi vítima dela. Ele sempre esteve à frente de iniciativas para ajudar jovens a ingressar na universidade e expressou suas frustrações em sua arte, incluindo uma poesia chamada Pátria Armada.
O crime aconteceu na madrugada de sexta-feira, por volta de 1h, na rua Cruzeiro do Sul, no bairro Ibes. Emmanuel saia de uma visita a um amigo quando parou para interagir com Kézia Kelly Aristides Miranda, uma catadora de materiais recicláveis que ele estava tentando ajudar. Segundo a polícia, dois homens em uma moto dispararam contra eles, resultando na morte de Emmanuel e Kézia, além de ferir outro homem em situação de rua, que foi levado ao Hospital Antônio Bezerra de Faria.
A notícia da tragédia chegou à família de Emmanuel apenas na tarde de sexta-feira, através de um amigo que os informou. Mayrianne, estudante de Medicina na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), estava fora, em uma visita ao namorado, e só ficou ciente do ocorrido após retornar às suas atividades.
A filha do artista decidiu lançar uma vaquinha para ajudar a cobrir os custos do velório, estimando R$ 4,4 mil. Apesar de já haver alcançado o valor necessário, a arrecadação continua para auxiliar nas despesas jurídicas na busca por justiça e para apoiar a filha mais nova de Emmanuel, de apenas 11 anos, que celebrou seu aniversário na semana do assassinato.
“Eu estava preocupada com minha avó e a dívida que isso poderia gerar, já que ela tem outros gastos de saúde. Meu curso é integral e o auxílio que recebo é muito baixo. Desde a morte do meu pai, recebemos muitas inscrições de apoio. Ele não tinha muito dinheiro, mas sempre ajudou os outros”, comentou Mayrianne.
Emmanuel 7Linhas completaria 46 anos no próximo mês. No dia de sua morte, ele tinha uma entrevista de emprego, além de ter lido sobre o aumento da violência contra a população em situação de rua em um comentário sobre o assassinato de Vanilson Ferreira, outro homem em situação de vulnerabilidade.
Emmanuel expressou suas preocupações em relação à brutalidade enfrentada por essa classe social, criticando os agentes de segurança e a sociedade. “Guardas municipais nazifascistas, piores que os policiais militares”, disse ele em sua análise.
Um caso anterior foi o assassinato de Vanilson Ferreira, que também acendeu um alerta sobre a violência contra pessoas em situação de rua. Recentemente, dois vigilantes foram detidos sob a acusação de sequestro e homicídio de uma pessoa em situação de rua em Vitória, refletindo uma onda crescente de violência nessa área. Além disso, um policial militar tem se destacado nas redes sociais por suas abordagens agressivas a pessoas em situação de rua.

Produção artística
Emmanuel 7Linhas destacou-se como um artista multifacetado: cantor, compositor, escritor e ator, além de participar de saraus e apresentações de rap. Sua morte trouxe grande comoção nas redes sociais.
A jornalista Elaine Dal Gobbo recordou de sua amizade com Emmanuel durante a faculdade, ressaltando ações solidárias que ele promovia, como a coleta de livros em uma cozinha comunitária. Ela enfatiza a sensibilidade e o respeito que ele demonstrava com as pessoas.
Emmanuel estava prestes a lançar um livro de poesias intitulado Ego Distônico. Segundo seu amigo Saulo Ribeiro, tudo estava preparado para a impressão, no entanto, problemas administrativos impediram o acesso aos recursos necessários. Saulo planeja agora lançar a obra em um evento como homenagem ao artista.
“Nosso objetivo é mostrar a verdadeira identidade de Emmanuel, um poeta valioso que perdemos. Também vamos exigir das autoridades a resolução desse caso”, conclui Saulo.



