domingo, outubro 11, 2026
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Moradores de Jardim da Penha exigem vistoria devido a problemas no Tancredinho

Infiltrações e problemas estruturais são denunciados após a inauguração

Leonardo Sá

Mais de dois meses após a cerimônia de inauguração da quadra coberta da Praça Regina Frigeri Furno, em Jardim da Penha, conhecida como “Tancredinho”, membros da comunidade voltaram a expressar preocupações com falhas estruturais da obra executada pela Prefeitura de Vitória, sob a liderança de Lorenzo Pazolini e Cris Samorini. Após as primeiras chuvas intensas, foi observado que parte da infraestrutura apresentou problemas, incluindo uma caixa de som que se desprendeu, ficando pendurada em local que pode oferecer risco aos usuários.

A Associação de Moradores de Jardim da Penha (Amjap) relatou a presença de infiltrações e desconforto nas arquibancadas, que estão desprovidas de coberturas adequadas contra a chuva e sol. Angelo Del Caro, coordenador-geral da associação, considera a situação um grave problema estrutural. Ele destacou que as falhas se tornaram notórias após as frequentes chuvas em Vitória, mencionando a caixa que apresentou risco ao cair. Já ocorreram tentativas de manutenção, mas o problema persiste e é considerado perigoso.

A preocupação se acentua devido ao grande fluxo de pessoas no espaço, em especial durante eventos esportivos e atividades noturnas. “Recentemente, as pessoas estavam dentro da quadra no fim de semana e isso é bastante preocupante”, alertou Del Caro, enfatizando a falta de clareza quanto aos riscos, já que a estrutura danificada é similar a outra parte destinada ao público.

Além da questão da caixa, moradores estão relatando infiltrações e vazamentos em diversas áreas da cobertura. Há críticas contínuas sobre o projeto arquitetônico desde o início das intervenções, com a proteção da cobertura considerada insuficiente por quem frequenta as arquibancadas. “A proteção não é adequada, e isso já era uma crítica desde a entrega da obra”, ponderou.

Com investimento de R$ 2,886 milhões e mais de um ano e meio de obras, o “Tancredinho” foi inaugurado pela administração municipal. Desde o início, moradores expressaram críticas em relação à falta de participação popular no projeto e levantaram preocupações sobre os impactos na praça, que serve como espaço para atividades esportivas, culturais e de convivência. Após a entrega, a associação começou a exigir informações sobre o funcionamento e regras do local.

Atualmente, a associação busca discutir a segurança da estrutura e já solicitou a avaliação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) sobre as condições da obra. Angelo Del Caro espera que uma vistoria técnica seja realizada para identificar situações de risco. “Precisamos entender os potenciais perigos”, afirmou.

A Amjap também tentou contato com a Prefeitura de Vitória e a secretaria competente para discutir os problemas, mas não obteve respostas até o momento. “Estamos em busca de esclarecimentos, mas não estamos conseguindo falar com a secretaria”, relatou Del Caro.

Essas novas críticas se somam às questões debatidas desde o anúncio da construção. A associação promoveu audiências públicas em 2024 para discutir o projeto, ressaltando a necessidade de que as alterações na praça fossem planejadas com a participação da população. A entidade argumenta que muitos dos pedidos feitos não foram considerados, resultando em um envolvimento comunitário limitado durante todo o processo.

Preocupações anteriores incluíam a modificação da circulação de ar, a diminuição da visibilidade entre áreas distintas e os efeitos sobre atividades tradicionais do local, como práticas esportivas e iniciativas comunitárias. Para a Amjap, os problemas estruturais destacam a importância de um monitoramento constante do equipamento e de um diálogo efetivo entre as autoridades e a comunidade. “A quadra é um espaço vital para o bairro, e precisamos garantir que ela funcione de maneira segura e adequada para os usuários”, finalizou Angelo.

A reportagem questionou a Prefeitura de Vitória sobre a existência de um diagnóstico técnico em relação aos problemas relatados, a realização de vistorias após as chuvas, as medidas de manutenção já implementadas e se há previsão para uma avaliação estrutural do espaço. Também foi indagado se a prefeitura havia sido informada da solicitação feita ao Crea-ES. Até o fechamento dessa edição, não houve resposta por parte da administração municipal.

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