O Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo registrou um crescimento de 4,4% no primeiro semestre de 2026, superando em mais de duas vezes a média nacional, que foi de 1,9%. A indústria estadual, com um avanço de 12,4%, contribuiu com 3,5 pontos percentuais, o que representa quase 80% do crescimento da economia capixaba. Comparando com o mesmo período do ano anterior, a atividade econômica do estado apresentou um aumento de 4,4%.
De acordo com a economista-chefe de uma entidade industrial, o desempenho positivo do Espírito Santo é enormemente suportado pelo setor industrial. Enquanto os serviços apresentaram uma elevação modesta de 1,6%, semelhante ao desempenho nacional, a agropecuária teve uma ligeira queda de 0,4%.
Essas informações fazem parte do Indicador de Atividade Econômica da Federação das Indústrias do Espírito Santo, divulgado na quarta-feira (16). O levantamento oferece uma estimativa preliminar sobre o desempenho econômico estadual antes da divulgação oficial do PIB pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Graças ao desempenho positivo do primeiro semestre, a projeção de crescimento da economia capixaba para 2026 foi revisada para 3,7%, um aumento considerável em relação à expectativa de 1,9% projetada no final de 2025.
A continuidade da produção elevada de petróleo e gás, o aumento da pelotização de minério de ferro, a resiliência do setor da construção civil frente aos juros altos, um mercado de trabalho em expansão e uma safra de café quase recorde sustentam essa nova previsão. No entanto, esse cenário ainda é suscetível a mudanças, considerando riscos como a inadimplência, o comprometimento da renda familiar, a escassez de bovinos, os potenciais impactos do fenômeno El Niño e incertezas internacionais.
O desempenho industrial esteve especialmente impulsionado pela indústria extrativista, que inclui a produção de petróleo e gás e a pelotização de minério de ferro, apresentando uma alta de 36,3%. Este crescimento foi favorecido pela retomada da produção de petróleo após uma paralisação de dois meses e o início das operações no Campo de Wahoo, localizado na Bacia de Campos.
O setor de energia e saneamento também demonstrou um avanço de 7,9%. Apesar disso, a construção civil registrou um crescimento de 2,7%, mesmo em um contexto de taxa de juros elevada. Contudo, uma desaceleração nas vendas pode refletir de forma mais impactante nos resultados de 2027. O presidente da entidade industrial destacou que os investimentos em construção civil são de médio prazo e que, embora a dinâmica de vendas esteja mudando, as obras precisam continuar para evitar a formação de estoques indesejáveis.
Por outro lado, a indústria de transformação enfrentou um recuo de 2% no primeiro semestre, com a produção de alimentos e o setor de papel e celulose sendo os principais responsáveis pela queda. Na indústria de alimentos, houve uma diminuição na produção de água de coco, açúcar e significativamente, de carnes bovinas, o que se deve à redução na oferta de gado. A produção de papel e celulose caiu 6,5% devido à diminuição da demanda da China e ao cenário internacional complicado. Embora segmentos como metalurgia e fabricação de coque tenham apresentado variações positivas, isso não foi suficiente para compensar as quedas de outros setores. O setor de serviços, no entanto, teve um aumento de 1,6% no semestre, impulsionado pelo transporte e pelo comércio.
Na agropecuária capixaba, ocorreu uma retração de 0,4% durante o primeiro semestre, com a pecuária sendo a mais afetada, apresentando uma queda de 7,5%. A agricultura, por sua vez, avançou apenas 0,1%. Entre as culturas analisadas, apenas o café arábica teve um desempenho positivo, enquanto outras, como o conilon e a pimenta-do-reino, mostraram declínios. A entidade mencionou que o fenômeno El Niño representa uma incerteza para o segundo semestre, pois pode provocar estiagem no Norte do estado e excesso de chuvas no Sul, impactando assim as lavouras e a infraestrutura rural.
A recente desaceleração da inflação trouxe um alívio temporário, mas a economista alerta que essa diminuição se deve em parte a fatores como o bônus de Itaipu. Embora tenha reduzido a inflação momentaneamente, a expectativa é de que ela permaneça próxima ao teto da meta. Essa situação, aliada a uma alta taxa de inadimplência e ao significativo comprometimento da renda das famílias, gera preocupação sobre os potenciais impactos no consumo e na capacidade de compra familiar.
O mercado de trabalho capixaba tenta contrabalançar essa situação, com a taxa de desemprego alcançando 2,3%, bem abaixo da média nacional, que é de 5,4%. Apenas os estados de Mato Grosso e Santa Catarina apresentam taxas inferiores. No entanto, a informalidade no mercado de trabalho do Espírito Santo continua considerada alta, o que afeta a renda média dos trabalhadores em comparação com aqueles que estão no setor formal.
A baixa taxa de desemprego também se traduz em desafios para as empresas que necessitam contratar, uma vez que, em 2026, foram criados mais de 20 mil empregos formais no estado, com investimentos previstos em cerca de R$ 100 bilhões para os próximos cinco anos. Para a indústria, o foco está em atrair trabalhadores da informalidade, capacitar profissionais e ampliar a inovação e atividade tecnológica. Apesar de a automação estar em ascensão, a demanda por mão de obra se mantém alta, evidenciando a necessidade de superar as barreiras no setor.


