O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, esteve presente em uma festa promovida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, conforme revelado em reportagem publicada na quinta-feira, 15. A cobertura destaca que a revista obteve acesso a 125 mensagens do celular de Vorcaro, que detalham os preparativos para a celebração em um triplex localizado no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo. Nessas mensagens, Kassio Nunes é identificado apenas pelas iniciais “KN”.
Vorcaro se envolveu diretamente na organização do evento, que incluiu a coordenação de diversas ações para assegurar que todas as comodidades estivessem à disposição do ministro. Enquanto isso, o banqueiro também conversava com diretores de sua instituição e um ex-dirigente do Banco Central, buscando resolver problemas de liquidez enfrentados pelo Banco Master.
Os diálogos entre Vorcaro e seu pessoal revelam sua preocupação com o conserto de equipamentos no apartamento, além dos preparativos para um churrasco. Uma mensagem se destaca, na qual ele pede que um sofá seja removido para evitar constrangimentos.
Além disso, Vorcaro ajustou detalhes com uma agenciadora para a presença de garotas de programa e disponibilizou uma equipe composta por um motorista, um chef de cozinha, um mordomo e uma faxineira para receber o ministro. No total, os gastos para a festa somaram aproximadamente R$ 27 mil.
De acordo com a reportagem, Kassio Nunes Marques chegou ao local algumas horas antes do início da festa, permanecendo até a noite. Uma mensagem de seu mordomo sugere que a festa tomou proporções inesperadas, com uma observação sobre convidados que teriam se comportado de maneira excessiva na piscina.
Curiosamente, enquanto a festa acontecia, Vorcaro foi informado de que a situação financeira do Banco Master havia se deteriorado, com um aumento significativo no depósito compulsório requerido pelo Banco Central, que subiu de R$ 800 milhões para R$ 1,250 bilhão. Em uma troca de mensagens, Vorcaro expressou a necessidade de agir para tentar reverter a crise, pedindo a demissão de um executivo e afirmando que a situação se tornara crítica.
Após a comemoração, Vorcaro indicou que aquele mesmo carnaval poderia ser um período de recuperação para o banco, com a venda de uma carteira prometendo resolver a questão da liquidez.
Quando procurado para comentar, Kassio Nunes Marques não se pronunciou publicamente, mas afirmou que nunca havia votado em favor de Daniel Vorcaro, que não teve trocas de mensagens com ele ou pediu qualquer tipo de favor. Além disso, o ministro ressaltou que jamais autorizou terceiros a falar em seu nome e não poderia ser responsabilizado pelas ações de outras pessoas.



