Prazo de até 60 dias para ouvir ANS e operadoras antes da decisão no Supremo
A discussão sobre a aplicação do Estatuto da Pessoa Idosa em contratos de planos de saúde firmados antes de 2004 avança para uma fase de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF). O assunto foi encaminhado ao Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol), que deverá reunir representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), seguradoras e operadoras antes de retornar ao plenário da Corte. Essa etapa é crucial para milhões de consumidores com 60 anos ou mais, pois o resultado poderá determinar se os planos de saúde continuarão a aplicar reajustes por faixa etária a contratos assinados antes da vigência do Estatuto, em janeiro de 2004.
A transferência do caso ao Nusol ocorreu após divergências entre os ministros durante a análise da ADC 90 e do Recurso Extraordinário 630.852, ambos relacionados ao mesmo tema, na sessão do dia 1º de outubro. Diante da falta de consenso sobre a extensão da proteção legal e os impactos financeiros, o STF optou por buscar uma solução conjunta.
O STF destacou que a validade do Estatuto da Pessoa Idosa não está em questão, mas sim a aplicação da proibição de cobranças diferenciadas por idade nos contratos que foram firmados antes da lei entrar em vigor.
O Nusol terá um prazo de até 60 dias para conduzir as negociações e, ao término desse período, o caso retornará ao plenário do STF, onde os ministros proferirão uma decisão que servirá de orientação para outras situações semelhantes no país.
Além disso, a ANS será responsável por fornecer informações técnicas sobre possíveis impactos de cada solução proposta. Os ministros manifestaram a necessidade de entender as consequências para consumidores, operadoras e o sistema de saúde suplementar antes de finalizar o julgamento.
Durante o debate, surgiram duas correntes distintas no tribunal. O relator do caso, Dias Toffoli, argumentou que o Estatuto da Pessoa Idosa não deve ser aplicado a contratos feitos antes de 2004, entendimento compartilhado por André Mendonça, Cristiano Zanin, Nunes Marques e Luiz Fux.
Por outro lado, outra corrente defendeu que a proteção deveria abranger consumidores que completaram 60 anos após a vigência da lei, mesmo que seus contratos tenham sido firmados anteriormente. Essa posição foi sustentada por Flávio Dino, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Edson Fachin.
Os apoiadores dessa visão argumentam que os planos de saúde são contratos de execução contínua e, portanto, os efeitos do Estatuto poderiam se aplicar a situações ocorridas após sua implementação.
Em contrapartida, os ministros que defendem a exclusão dos contratos antigos ressaltam a importância da segurança jurídica e do equilíbrio econômico-financeiro das operadoras. Alguns membros deste grupo também alertaram sobre possíveis efeitos nos custos dos planos e na sustentabilidade do setor.
Além da questão central, o Supremo precisa decidir sobre os efeitos práticos dessa decisão, abordando aspectos como a aplicação das novas regras apenas para o futuro e a possibilidade de ressarcimentos relacionados a cobranças previas.
Enquanto a definição não é alcançada, a insegurança jurídica persiste tanto para consumidores quanto para empresas. Para os idosos que dependem de planos de saúde antigos, a expectativa agora é que um acordo seja construído para garantir o acesso à assistência médica sem incrementar barreiras financeiras devido ao avançar da idade.



