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Trumpistas elaboram teoria sobre as derrotas da esquerda latino-americana – 08/10/2026 – Mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu filho mais velho e influenciadores de direita passaram a vincular as vitórias eleitorais da direita na América Latina ao desmantelamento da Agência Americana de Ajuda Externa (Usaid). A argumentação é de que os recursos da agência beneficiavam partidos e governos de esquerda.

Entretanto, essa teoria não possui comprovação e reitera acusações sobre a suposta interferência nas eleições brasileiras de 2022, que já foram investigadas sem que evidências consistentes fossem encontradas. A narrativa ressurgiu após o primeiro turno das eleições brasileiras, realizado no último domingo (4), promovida por integrantes do movimento Maga, que associam os resultados eleitorais aos cortes da Usaid realizados durante o governo Trump em 2025.

Donald Trump Jr. comentou: “Desde que desmontamos a Usaid, a esquerda não ganhou uma única eleição presidencial na América Latina”, uma declaração que foi rapidamente compartilhada por seu pai.

Ele ainda afirmou que “bilhões em dinheiro dos contribuintes financiavam ONGs, programas de democracia e redes de ativistas que sempre apoiavam o mesmo lado. Chamavam isso de ajuda, mas era interferência eleitoral”, agradecendo a Elon Musk por expor o suposto esquema.

Musk, ex-assessor especial de Trump, liderou ações contra a Usaid, que incluem cancelamento de contratos, redução de recursos e demissões em massa. Especialistas, no entanto, argumentam que a narrativa não condiz com o histórico da agência. Alex Main, pesquisador de um centro de pesquisa em Washington, afirma que, na verdade, a maioria dos recursos da Usaid era direcionada a programas humanitários e de desenvolvimento, com o financiamento político tendendo a favorecer grupos de direita e enfraquecer a esquerda.

Main cita, como exemplo, o suporte aos Contras na Nicarágua na década de 1980 e a assistência à oposição venezuelana encabeçada por Juan Guaidó. Segundo ele, a Usaid tinha o objetivo de fortalecer aliados e reduzir a atração popular da esquerda, ao contrário do que a narrativa atual alega.

Andres Martinez-Fernandez, analista sênior de uma fundação conservadora, aponta que o fortalecimento da direita deve-se à sua percepção de eficácia em lidar com o crime e à insatisfação econômica da população. Para ele, os resultados do primeiro turno das eleições brasileiras refletem uma tendência regional de ascensão de políticos conservadores alinhados aos interesses de Washington.

Comentaristas conservadores nos EUA também têm promovido a ideia de que a queda da Usaid está ligada ao desempenho eleitoral no Brasil. Benny Johnson, podcaster de direita, mencionou que as eleições brasileiras representam um “terremoto político”, afirmando que o presidente Lula não contaria mais com o suporte financeiro da agência a seu favor.

Em uma transmissão, um convidado alegou que a Usaid havia financiado uma rede de instituições no Brasil, interferindo de maneira prejudicial nas candidaturas de Bolsonaro e favorecendo Lula. Essa afirmação, entretanto, carece de evidências e organizações mencionadas negaram ter recebido verbas da Usaid para tal fim.

Além disso, a tentativa de ligar o desmantelamento da agência às vitórias da direita enfrenta as particularidades de cada nação. Na Bolívia, a Usaid foi expulsa em 2013 por Evo Morales, acusada de ingerência política, muito antes das derrotas eleitorais da esquerda.

Durante o segundo mandato de Trump, a Casa Branca cancelou diversos contratos com a Usaid, reduziu seu quadro de funcionários e transferiu algumas de suas funções para o Departamento de Estado, alegando buscar um combate ao desperdício e a readequação das prioridades governamentais.

O cenário político brasileiro é refletido em um movimento de aproximação da Casa Branca com governos conservadores na América Latina, que busca aumentar a cooperação em segurança, combate ao narcotráfico e interesses econômicos. Enquanto Lula mantém uma postura crítica em relação a Trump, Flávio Bolsonaro busca estreitar laços com Washington e já manifestou interesse em participar de iniciativas regionais de segurança defendidas pelo ex-presidente americano.

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