A XP Financeira atualizou sua previsão para o crescimento da economia brasileira em 2026, reduzindo a expectativa do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% para 1,7%. Essa revisão ocorreu após a divulgação do PIB do segundo trimestre, refletindo a desaceleração dos setores mais afetados pela alta dos juros. Apesar dessa mudança, a previsão para 2027 permanece em 1%, mas com um aumento no risco de uma nova baixa.
O economista da XP, Rodolfo Margato, ressaltou que, embora já se esperasse uma desaceleração da atividade econômica a partir do final deste ano, os sinais de fraqueza começaram a se manifestar mais cedo do que o antecipado. Enquanto o PIB do segundo trimestre teve um crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior, o consumo das famílias apresentou uma queda de 0,4%, uma preocupação para os economistas, especialmente em um contexto de aumento na renda real e iniciativas de estímulo governamental.
O relatório da equipe de pesquisa macroeconômica da XP, liderada por Caio Megale, indicou que o cenário já refletia o aumento do endividamento de empresas e famílias em um ambiente de juros altos, o que afetaria a demanda interna e resultaria em um crescimento do PIB abaixo do esperado para o próximo ano. Embora esperassem que medidas fiscais pudessem sustentar a atividade econômica, a análise indica que a redução na atividade provavelmente já se materializou.
As previsões para os principais indicadores de atividade em julho também são desanimadoras. A expectativa para o PIB no terceiro trimestre foi ajustada, prevendo estabilidade em comparação ao segundo trimestre, onde antes se projetava um aumento de 0,3%. Os economistas preveem que essa falta de dinamismo persista no quarto trimestre.
O mercado de trabalho apresenta sinais de desaceleração na criação de empregos e moderação na renda, o que deve impactar negativamente o crescimento econômico nos próximos trimestres. Além disso, o aumento da inadimplência e a diminuição na concessão de crédito continuam formando um cenário de riscos, reduzindo o apetite ao consumo e afetando a produção e o acesso a serviços.
Em relação ao câmbio, inflação e Selic, as projeções da XP agora fixam o dólar em R$ 5 para o final de 2026 e em R$ 5,30 para 2027. A expectativa de inflação, medida pelo IPCA, foi levemente reduzida de 5,1% para 5%. A taxa básica de juros, a Selic, está projetada em 13,25% para 2026 e 11,50% para 2027, com a atual Selic em 14%.
Com os recentes dados apontando desaceleração econômica, a XP indica que há maior chance de o Banco Central rever sua política de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para os dias 21 e 22 de setembro. Contudo, os riscos para a inflação ainda persistem, especialmente em relação à política monetária do Banco Central dos Estados Unidos, à pressão dos preços do petróleo, e aos possíveis efeitos do fenômeno El Niño nas commodities alimentares.



