O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky expressou que a realização de eleições enquanto o país enfrenta a guerra contra a Rússia representa um “risco enorme”, o que poderia desencadear divisões internas. Essa declaração foi feita após o ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov ter sugerido a possibilidade de uma votação presidencial.
Em declarações a jornalistas no dia 22, Zelensky afirmou: “Nas circunstâncias de uma guerra como esta, as eleições configuram um grande risco. Neste momento, uma votação seria um tsunami para o país, que iria dividir a Ucrânia.” Ele acrescentou que se o objetivo fosse fragilizar o país, a realização de eleições durante o conflito poderia ser uma escolha.
Desde que a lei marcial foi implementada após a invasão russa em 2022, a Ucrânia suspendeu as eleições. A maioria da população apoia essa decisão, priorizando o esforço bélico contra a Rússia. Além das preocupações com a segurança, há receios de interferência russa e possíveis ataques durante o período eleitoral. Uma pesquisa recente revela que apenas 15% dos ucranianos são favoráveis à realização de eleições antes do término da guerra.
Entretanto, a pressão sobre Zelensky tem aumentado. Líderes como Vladimir Putin, da Rússia, e Donald Trump, dos Estados Unidos, já se manifestaram a favor de eleições na Ucrânia, mesmo considerando a persistência dos ataques russos.
O assunto tomou nova dimensão com a saída de Fedorov do governo. Ele, que goza de popularidade entre os militares e a população, ganhou destaque por seu apoio ao uso de drones na guerra e por exigir mudanças nas Forças Armadas. Sua demissão ocasionou protestos e intensificou a crise política em Kiev.
Ao solicitar eleições, Fedorov reafirma seu papel no cenário político. Embora não tenha indicado que deseja concorrer à presidência contra Zelensky, suas declarações levantaram especulações sobre uma candidatura. A equipe do ex-ministro informou que ele deverá viajar aos Estados Unidos em breve, o que pode alimentar ainda mais as suposições sobre suas ambições políticas, segundo a AFP.
Zelensky, por sua vez, fez críticas ao seu ex-aliado, afirmando: “Acredito que ele está trilhando caminhos errados, seja por vontade própria ou influenciado por outros.”



