quarta-feira, setembro 30, 2026
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Foz do Amazonas pode assegurar mais 40 anos de reservas de petróleo para a Petrobras

A exploração de petróleo na Margem Equatorial pode levar de seis a sete anos, mas a Petrobras demonstrou otimismo ao identificar indícios de petróleo em seu primeiro poço nas águas ultraprofundas do Amapá. Essa descoberta ocorreu apenas dez meses após o início das atividades no poço Morpho.

Caso o potencial da bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias da Margem Equatorial, seja confirmado, as expectativas são de que a região possua pelo menos mais 40 anos de produção. Essa informação foi compartilhada por Wagner Victer, gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras.

“Participei do início da bacia de Campos e é emocionante ver que estamos abrindo uma nova fronteira de exploração para uma nova geração, sinalizando a longevidade da Petrobras e atraindo novos profissionais e engenheiros para o setor”Wagner Victer

De acordo com Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras, o óleo encontrado será submetido a análises no Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) para verificar sua qualidade e potencial do poço. “Estamos aguardando os resultados das análises que serão realizadas no Cenpes”, declarou Sylvia à Broadcast na segunda-feira (17).

A Margem Equatorial é vital para a Petrobras, pois pode contribuir para a reposição de reservas de petróleo a partir da próxima década, com a produção do pré-sal se aproximando do pico e, em seguida, começando sua queda. O plano de negócios para 2026-2030 projeta um investimento de US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial e a perfuração de 15 novos poços.

O andamento dos próximos passos depende do Ibama, que está avaliando o pedido da Petrobras para perfurar mais três poços. Em relação ao poço Morpho, houve uma espera de mais de 12 anos, sendo os últimos três anos marcados por intensa pressão da atual gestão da companhia, que finalmente obteve a autorização em outubro de 2025. A BP, que detinha 70% do ativo até 2021, decidiu vender sua participação à Petrobras devido à longa espera.

“É preciso acelerar o licenciamento dos outros poços para que possamos entender o que realmente existe lá. Não se pode ficar nesse dilema a cada nova perfuração. Se avançarmos, estaremos lidando com escalas muito maiores de atividade geológica e exploratória”Prof. Edmar Almeida, Instituto de Energia da PUC-Rio.

“Estamos diante de um cenário que envolve a realização de não apenas um, mas vários poços. A Guiana já ultrapassou a marca de cem poços. Para confirmar a viabilidade dos reservatórios e iniciar a produção em grande escala, múltiplas declarações de comercialidade serão necessárias”, completou o acadêmico.

Após a divulgação da descoberta em 14 de maio, Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, enfatizou a importância de o Ibama agilizar as licenças ambientais. “Não temos dados da Petrobras, portanto não podemos afirmar se se trata de uma descoberta significativa ou não. Contudo, é um sinal positivo que indica a importância de acelerar as licenças”, disse.

Sem Impacto Imediato

Ilan Arbetman, analista de energia na Ativa Investimentos, considera a descoberta positiva, mas ressalta que ainda faltam informações para “estimarmos o valor” da ação da Petrobras. “Uma avaliação mais precisa requereria evidências de escala comercial, produtividade e competitividade econômica em relação ao portfólio atual da empresa. Até lá, a descoberta deve ser encarada como uma opção exploratória, sem impacto direto sobre nosso preço-alvo ou recomendações”, destacou.

Conforme apontado por Arbetman, a confirmação de hidrocarbonetos (petróleo e gás) no bloco FZA-M-59 é positiva, uma vez que aprimora as perspectivas exploratórias da Petrobras na bacia da Foz do Amazonas, uma área central para a reposição de reservas a longo prazo.

Rivaldo Moreira Neto, sócio-diretor da A&M Infra, acredita que a descoberta possa estimular o governo a acelerar os leilões na região e criar um aumento no interesse privado por blocos na Margem Equatorial. Ele entende que a governança não deve criar entraves aos investimentos necessários para desenvolver a área.

“Esse anúncio demonstra o interesse daqueles que participaram do leilão e deverá impactar positivamente as próximas movimentações. Embora ainda existam riscos, todos os operadores envolvidos são de classe mundial e altamente eficazes. Essa região necessita de um movimento exploratório intenso, mas não seria prudente elevar muito os prêmios em um contexto de competição global por investimentos”Rivaldo Moreira Neto

Em junho, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para futuras concessões (OPC).

Para que esses blocos sejam definitivamente oferecidos, será necessário concluir a análise ambiental e a emissão da Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente e do Clima (MMA).

“Há uma relação de dependência significativa em relação ao trabalho com os órgãos ambientais, mas a primeira descoberta pode acelerar esse processo”, concluiu o advogado.

O professor da PUC e ex-diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, enfatizou em entrevista à Broadcast que a Margem Equatorial pode transformar a geopolítica do Brasil, caso se consolide como uma nova região produtora de petróleo no país.

“Se a região efetivamente se tornar uma província petrolífera, isso poderá remodelar a geopolítica nacional em termos de poder econômico e industrial, criando novas oportunidades para a reabilitação econômico-social da área”, concluiu Zylbersztajn.

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