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Tribunal dos EUA adia execução de Christa Pike – 30/09/2026 – Mundo

Um tribunal nos Estados Unidos decidiu, na quarta-feira (30), suspender a execução de Christa Pike, a única mulher no corredor da morte do Tennessee em mais de 200 anos, instantes antes de ela ser submetida à injeção letal. O Tribunal de Apelações do Sexto Distrito emitiu uma ordem emergencial, adiando a execução até nova determinação.

Christa Pike, que atualmente tem 50 anos, foi condenada pelo assassinato de uma colega de escola há três décadas. O pedido de clemência apresentado por seus advogados, que destacava traumas de infância e abusos sexuais, foi rejeitado pelo governador do Tennessee, Bill Lee. Em janeiro de 1995, quando tinha apenas 18 anos, Pike, junto com seu namorado de 17 anos e um terceiro cúmplice, sequestrou Colleen Slemmer, de 19 anos, atraindo-a para uma área de mata, onde a torturaram e mataram. O crime, em que a vítima teve um pentagrama entalhado em seu peito, recebeu grande cobertura da imprensa naquela época.

Os depoimentos durante o julgamento revelaram que Pike enxergava Slemmer como uma concorrente pelo amor de Tadaryl Shipp, seu namorado. Ambos confessaram o crime e foram condenados no ano seguinte. Enquanto Pike foi sentenciada à morte, Shipp recebeu uma pena de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Em 2001, ela também foi condenada por tentativa de homicídio após agredir uma detenta.

Os advogados de Pike elaboraram uma petição de 226 páginas solicitando a comutação da pena de morte para prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Nela, foram documentados relatos de sua infância marcada por violência, negligência e abuso sexual, incluindo dois estupros aos 11 e 17 anos. A defesa de Pike também mencionou diagnósticos de transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático recebidos durante seu tempo na prisão, além de evidências de que sua mãe consumiu álcool em excesso durante a gestação, o que contribuiu para problemas de desenvolvimento que afetaram seu controle emocional na adolescência.

Na argumentação apresentada, os advogados ressaltaram que a jovem problemática de 18 anos havia se transformado em uma mulher de 50 anos que reconhece seus erros, está recebendo tratamento adequado para sua saúde mental e que apoia outras mulheres encarceradas. A mãe da vítima, May Martinez, manifestou apoio à execução de Pike.

As execuções de mulheres condenadas são extremamente incomuns nos Estados Unidos, com apenas 18 casos registrados desde que a pena de morte foi reestabelecida em 1976, de um total de 1.683 execuções. Antes da decisão desta quarta-feira, o Tennessee havia executado 17 pessoas.

O caso de Pike tem gerado atenção mundial, e um grupo de especialistas em direitos humanos da ONU divulgou uma declaração solicitando a comutação de sua pena. Especialistas em trauma e violência sexual também se manifestaram, argumentando que a aplicação da injeção letal poderia reativar memórias traumaticas de seus abusos na infância, aumentando a crueldade da execução.

Em maio, as autoridades penitenciárias do Tennessee interromperam a execução de um homem condenado por homicídios devido à dificuldade em encontrar uma veia adequada para a injeção letal.

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