A disputa pelo governo do Distrito Federal (GDF) reflete a polarização política do país, então marcada na corrida presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No primeiro turno, Celina Leão (PP) obteve 825.530 votos, o que representa 49,93% dos votos válidos, ficando a apenas 168 votos de conquistar a vitória sem a necessidade de um segundo turno, que será realizado em 25 de outubro. Seu adversário, Leandro Grass (PT), recebeu 569.930 votos, equivalentes a 34,47%.
Celina, atual governadora, busca manter o apoio da aliança partidária que a sustenta, envolvendo partidos como PP, Republicanos, MDB, Podemos e PL. Durante a campanha, ela contou com o suporte de figuras políticas importantes, como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, agora senadoras. A governadora está determinada a superar a confusão eleitoral do primeiro turno, onde 26.603 eleitores digitaram 22, número do PL, quando pretendiam votar nela, que é identificada pelo número 11.
Celina reconhece que sua associação frequente com Michelle e Bia pode ter causado essa confusão e já planeja uma estratégia de comunicação clara para o segundo turno, destacando a diferença entre seus números de identificação nas urnas. Além disso, ela pretende aumentar a mobilização entre os eleitores que já manifestaram apoio e conquistar aqueles que não votaram na primeira rodada.
A governadora também enfrenta a crise do Banco de Brasília (BRB), que complicou sua candidatura no primeiro turno. Desde que assumiu o cargo em 2026, após a saída de Ibaneis Rocha (MDB), Celina tem procurado desvincular sua imagem das dificuldades de gestão do ex-governador. Ela não apresenta soluções imediatas para a crise do BRB e critica a responsabilidade do governo federal sobre a situação.
Atualmente, Celina busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com a União, embora o governo federal tenha afirmado que não pode garantir a operação. Ela também tenta estabelecer negociações com bancos do exterior. Durante a campanha, a governadora fez esforços para manter Ibaneis Rocha distante de sua imagem, dado o desgaste que sua gestão anterior poderia causar.
No lado oposto, Grass precisa ampliar seu apoio para conseguir reverter sua desvantagem de 15,46 pontos percentuais em relação a Celina. Ele busca atrair eleitores de candidatos que não avançaram para o segundo turno, assim como aqueles que ficaram ausentes das urnas no primeiro turno. Embora tenha tentado o apoio de Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo), as estratégias de ambos resultaram em direções opostas, com Caputo declarando apoio a Celina.
Grass também enfrenta o desafio de construir uma base política no GDF, onde os deputados distritais eleitos não estão alinhados a ele. Com uma bancada minoritária, deverá buscar alianças com partidos fora de sua esfera política, um cenário que se repete na representação do DF no Congresso, onde muitos parlamentares apoiam Celina.
Apesar da polarização, Grass tenta se desvincular do rótulo de um duelo entre o PT e a direita, enfatizando que seu governo, independentemente da presidência, manteria um diálogo com o governo federal para priorizar os interesses de Brasília.



