quinta-feira, outubro 29, 2026
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Compreenda o inquérito que investiga a conexão entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.

Um dia após ter sido restrito de deixar o Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi derrotado por Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, é acusado de ter desobedecido à decisão judicial e embarcado para os Estados Unidos, conforme notícia circulando entre seus aliados.

Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enfrenta um inquérito encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a apostas, em parceria com o advogado Willer Tomaz, que é seu amigo. O ministro Alexandre de Moraes é quem está responsável pela relatoria do caso.

Na segunda-feira (26), Flávio foi convocado pela PF a entregar seus passaportes, tanto o comum quanto o diplomático, e proibido de sair do país. Além disso, a ordem também estabelece que não pode manter contato com Willer.

O advogado Willer Tomaz está sob investigação na Operação Sem Desconto, que examina fraudes contra o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A relação entre Willer e Flávio, ambos sob suspeita de lavagem de dinheiro, remonta a pelo menos 2019.

As investigações levaram à apreensão do celular de Willer, cujo conteúdo revelou movimentações financeiras suspeitas ligadas a plataformas de apostas, holdings no exterior e empresas associadas, diretamente ou através de sócios de fachada. Além disso, foram encontradas fotos e documentos pessoais do senador, além de registros de encontros e festas entre eles.

Ambos utilizavam o aplicativo Confide, que permite o envio de mensagens que desaparecem após serem lidas, e Flávio estava entre os contatos preferidos de Willer. A Polícia Federal identificou indícios de relacionamentos próximos entre eles e do advogado com políticos aliados.

As famílias de ambos viajaram com passagens pagas pela Cathedral Holding, uma empresa portuguesa, cujas ações são predominantemente de propriedade de Willer e seus familiares. A Cathedral é a única acionista da Rede Loto, responsável pela casa de apostas BestBet.

Conforme as informações da Polícia Federal, Flávio tinha um acesso especial à conta bancária da Alcazar Holding, empresa de Willer registrada na Ilha da Madeira, o que indicaria um controle abrangente sobre suas operações. Documentos analisados mostram que a exclusão do senador da conta foi solicitada em maio de 2025, levantando suspeitas de uma possível participação econômica ou societária dele na Alcazar.

Consequentemente, a Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar a possibilidade de Flávio ser um sócio oculto da BestBet. Após a divulgação de informações que indicavam que a Cathedral pagou voos de Flávio, sua campanha afirmou que a relação do senador com Willer era puramente amizade, classificando as acusações como infundadas e de motivação eleitoral.

Por outro lado, a assessoria legal de Willer afirmou que todas as empresas nas quais está envolvido são legais e estão registradas publicamente, conforme declarado em suas apurações fiscais.

Flávio também é alvo de outro inquérito, que investiga um pedido de financiamento dirigido a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme “Dark Horse”, que aborda a vida de Jair Bolsonaro. Neste contexto, o senador é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Se tivesse sido eleito presidente, Flávio gozaria de imunidade temporária em relação a eventos anteriores ao seu mandato. Contudo, como não obteve a vitória, não terá tal privilégio, perdendo também o foro especial ao deixar o Senado em fevereiro. Será a primeira vez desde 2002 que ele não ocupará um cargo eletivo.

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