sexta-feira, outubro 30, 2026
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Flávio recua em carta conturbada e substitui ‘presidente eleito’ por ‘líder do Brasil’

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma alteração significativa em uma carta golpista publicada em sua conta no X, ao substituir a frase “verdadeiro presidente” por “líder do Brasil”. Essa nova versão foi divulgada na quarta-feira, 28, após a circulação de pelo menos quatro variantes do documento, sendo que apenas as duas mais recentes foram postadas pelo senador.

As versões anteriores, que circularam entre seus aliados, apresentavam Flávio como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar de sua derrota para Lula (PT) nas eleições do dia 25 de outubro. Essas versões também continham diferentes brasões, com um incluindo a palavra “Brazil” escrita com “z” e outro com o brasão oficial do Brasil.

Na versão que Flávio publicou em sua conta, ele inicia a carta dizendo que se dirige ao povo brasileiro e à comunidade internacional e se descreve como “líder do Brasil”. A carta mais atualizada revela sua intenção de ser o líder da oposição no exterior, e faz alegações de fraudes eleitorais sem apresentar provas. Flávio também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e agradeceu ao ex-presidente americano Donald Trump por oferecer abrigo à sua família nos Estados Unidos.

Flávio chegou a Miami na quarta-feira, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e pegar um voo particular que parou no Equador. Sua saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenar a entrega de seus passaportes em uma investigação relacionada a práticas de lavagem de dinheiro, o que Flávio nega.

Este movimento destaca uma mudança de posição, já que Flávio havia declarado um dia antes que não pretendia anular a eleição nem deixar o país. No último domingo, Lula obteve uma vitória sobre Flávio com uma diferença de 4,43 milhões de votos. Aunque as campanhas both do Lula e do PL pediram para estender o horário de votação, Flávio posteriormente questionou a extensão decidida pelo STF, que foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na quarta-feira, o senador manifestou que sua decisão de partir do Brasil se deu para evitar uma perseguição política, afirmando estar acompanhado da família em sua nova residência. Ele elogiou tanto Trump quanto o governo americano por proporcionarem o que chamou de segurança jurídica ausente no Brasil.

Donald Trump declarou que permitiria a entrada de Flávio no país, apesar de não saber sua localização. Uma autoridade do Departamento de Estado informou que o governo americano concederia vistos a Flávio e seus familiares. Além disso, o senador também agradeceu ao presidente argentino Javier Milei por sua coragem e senso de justiça durante sua passagem pela Argentina antes de seguir para os EUA.

Flávio novamente questionou a legitimidade das eleições, especialmente criticando a decisão judicial que autorizou a extensão do horário de votação no segundo turno, afirmando que isso favoreceu Lula, o que contradiz dados que demonstram diferenças mínimas no número total de votos.

O senador alegou que o aumento no número de votos entre os turnos não é evidência de fraude, mas também fez acusações de abuso de poder político e econômico por parte da campanha adversária, sem fornecer provas.

Em sua declaração, Flávio dirigiu ataques ao Judiciário, sugerindo que suas ações tinham como objetivo silenciar a oposição, e garantiu que não há mandados de prisão contra ele, mas sim uma caça às bruxas politicamente motivada.

Ele expressou sua crença de que a apreensão de seus passaportes poderia ser uma etapa inicial de uma série de ações que poderiam levar a medidas como prisões domiciliares ou condenações judiciais.

A decisão de Moraes sobre os passaportes não representa um mandado de prisão, mas faz parte de uma investigação sobre a conexão de Flávio com o advogado Willer Tomaz. O senador sugeriu que pretende seguir a liderança da oposição a partir dos Estados Unidos e dirigiu um apelo a parlamentares e governadores aliados.

Flávio ressaltou que sua saída do Brasil não marcaria o fim de sua atividade política, afirmando que continuaria a se comunicar com a população e que uma estratégia seria desenvolvida para mobilizar a oposição no país, ainda que não tenha fornecido detalhes sobre isso ou um possível retorno ao Brasil.

Ele finalizou sua mensagem afirmando que a luta política não terminou com sua saída e que permanecerá comprometido com os brasileiros, até que o país recupere a liberdade.

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