A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, na segunda-feira (19), o registro do medicamento Emrelis (telisotuzumabe vedotina). A nova terapia é voltada para adultos diagnosticados com câncer de pulmão de não pequenas células avançado ou metastático, que é o tipo mais frequente da doença.
A decisão foi publicada em uma resolução no Diário Oficial da União e se destina a pacientes que possuem tumores com alta expressão da proteína c-Met e que já passaram por tratamentos anteriores. Com essa aprovação, o Brasil torna-se o segundo país a liberar o uso dessa terapia, seguindo os Estados Unidos.
O medicamento, desenvolvido pela empresa farmacêutica AbbVie, atua como uma terapia-alvo, combinando um anticorpo a uma substância que destrói células tumorais. Por meio desse anticorpo, o composto citotóxico é liberado diretamente dentro das células cancerígenas, direcionando sua ação de forma mais eficaz.
Vale destacar que a indicação de uso do Emrelis não é universal e requer a confirmação da alta expressão de c-Met no tecido tumoral através de exames específicos. O tratamento é administrado via infusão intravenosa a cada duas semanas.
A aprovação deste medicamento foi fundamentada em um estudo clínico de fase 2, que analisou sua eficácia e segurança em pacientes que já haviam recebido outros tratamentos. Nos participantes que apresentavam alta expressão de c-Met, observou-se que 34,5% tiveram redução mensurável do tumor, com uma duração média da resposta de 7,2 meses, conforme dados atualizados deste ano.
Entretanto, ainda é necessário que a substância passe pela avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes que possa ser comercializada no território nacional, e essa etapa não possui previsão definida.
Os estudos de fase 2 são voltados para a identificação de sinais de eficácia de um tratamento e para a análise de sua segurança, o que não implica que o medicamento supere as opções disponíveis ou que seja eficaz para todos os pacientes. A Anvisa também firmou um acordo com a fabricante para a coleta de dados adicionais.
Entre os efeitos colaterais relatados incluem neuropatia periférica, que pode causar alterações na sensibilidade, além de fadiga e inchaço. Casos de inflamação pulmonar também foram registrados e requerem monitoramento durante o tratamento.
A previsão é que o câncer de pulmão registre 35.380 novos casos no Brasil no período de 2026 a 2028, com 18.730 ocorrendo em homens e 16.650 em mulheres, segundo estimativas. Em 2024, essa doença levou a 32.555 óbitos no país. O tabagismo se destaca como o principal fator de risco, com a poluição do ar e a exposição a certas substâncias no ambiente de trabalho também contribuindo para o desenvolvimento da enfermidade.



